Alliny Sartori

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Mulheres Unidas Pela Saúde


O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de tumor mais frequente na população feminina, ficando somente atrás do câncer de mama e do câncer colorretal. Estamos falando aqui da quarta causa de morte de mulheres no Brasil. As alterações das células são curáveis na maioria dos casos e podem facilmente ser descobertas com exames preventivos, como o Papanicolau. A realização preventiva de exames é sempre a melhor maneira para que as alterações celulares não evoluam para o câncer.

Hoje é um dia muito importante, pois comemoramos o “Dia Internacional da Mulher”. Em vez de abordar as questões trabalhistas que marcam esse dia, tomei a liberdade de dialogar aqui com vocês sobre outra reivindicação fundamental. Não vou falar de forma detalhada e abrangente sobre as 129 operárias que morreram carbonizadas no dia 8 de março de 1857, nos EUA, nem das 125 mulheres que também foram vítimas de um incêndio em outra fábrica de tecido, no dia 25 de março de 1911, também nos EUA. Falarei de mulheres que também perdem suas vidas, mas que são vítimas da falta de qualidade de vida, da omissão em relação ao tratamento adequado, do descaso, da falta de atenção, da ausência de cuidados pessoais e também da falta de serviços básicos de saúde, que deveriam servir para a valorização da vida e também para a prevenção de doenças terríveis, como é o caso do câncer do colo do útero.

Com a criação do SUS pela Constituição de 1988, o Instituto Nacional de Câncer, também conhecido como INCA, tornou-se o responsável pela formulação da política nacional de prevenção e controle do câncer. O “Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher” foi implantado em 1984, mas o atendimento primário às pessoas no sistema de saúde público está muito distante da sua eficiência requerida e o impacto negativo direto nas mulheres que pretendem utilizar tal serviço é visível, notório e cruel.

Em 1998, por meio da Portaria nº 3.040, ficou instituído o “Programa Nacional de Combate ao Câncer do Colo do Útero”, com o objetivo de estruturar a rede assistencial, estabelecer um sistema de informações para o monitoramento das ações e dos mecanismos para mobilização e captação de mulheres, assim como a definição das competências nos três níveis de governo. Nessa fase, mais de três milhões de mulheres foram mobilizadas para fazer o exame citopatológico. Um dos principais exames citopatológicos é o teste de Papanicolau. Em Ibitinga, em Audiência Pública e também através do Conselho Municipal da Saúde, foram divulgados os seguintes números em relação aos exames realizados: em 2016, foram feitos 1879 exames, sendo 255 no Posto de Saúde da Família na Vila Maria, 404 no Posto de Saúde da Família (que fica no Jardim Santa Clara) e outros 1220 no Centro de Saúde Municipal.

Em 2014, o Ministério da Saúde, iniciou a campanha de vacinação de meninas adolescentes contra o papilomavírus humanos. A vacina oferece proteção contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Meninas de 9 a 13 anos já podem receber a primeira dose da vacina, sendo a meta nacional imunizar pelo menos 80% das meninas de 9 anos de idade, público-alvo da campanha. Vale ressaltar que o Brasil é o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina contra o HPV também para meninos na faixa etária de 12 a 13 anos, sendo que Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá já fazem também a distribuição da dose para adolescentes de ambos os sexos.

Políticas públicas nessa área vêm sendo desenvolvidas no Brasil, mas precisam ser ampliadas e colocadas como prioridade. A saúde da mulher, embora muito debatida e divulgada, ainda é pouco efetiva. Ainda existe muita desinformação e um certo preconceito em relação ao temam, inclusive em relação ao procedimento. Segundo o Ministério da Saúde, alguns médicos também dispensam os exames preventivos para mulheres que possuem relações homossexuais, o que seria um erro. Todas as mulheres precisam realizar o exame, independentemente da orientação sexual.

O ultrassom transvaginal também possui uma importância destacadamente impactante em termos de saúde pública, em relação ao diagnóstico precoce do câncer.

Todos nós sabemos que o problema sempre foi a detecção tardia da doença. Em Ibitinga, segundo o Serviço Autônomo Municipal de Saúde, somente em 2016, restaram 345 mulheres na demanda reprimida para a realização do exame, ou seja, essas ibitinguenses ficaram no aguardo da realização de seus exames. O tempo na fila de espera, atualmente, pode chegar a mais de um ano. O exame particular tem um custo aproximado de duzentos reais e a nossa luta será para diminuir consideravelmente este valor para as mulheres de baixa renda e zerar a espera, ou, melhor ainda, conseguir a disponibilidade gratuita do exame, caso seja possível.

Avançar para reduzir a mortalidade do câncer do colo do útero é um desafio para o  Brasil. Para nós, ibitinguenses, o desafio da comunidade e dos agentes políticos é conseguirmos atingir o nosso grande objetivo, que é garantir que cada mulher ibitinguense possa ser examinada e, caso seja diagnosticada com a doença, possa ser curada. A Organização Mundial da Saúde relata que são mais de 250 mil mulheres por ano vítimas fatais da doença. 85% desses óbitos acontecem em países de média e baixa renda, como o nosso. A luta das mulheres ainda está muito longe de acabar, pois o descaso e a discriminação conosco ainda são muito presentes em nossas vidas. Sofremos com o preconceito e com a falta de atenção devida, o que acarreta menores investimentos em políticas sociais e de saúde pública com a mulher. Consequentemente, as mulheres continuam sendo marginalizadas, com o agravante que, em muitos casos, elas são as únicas provedoras das famílias. Protegê-las é uma questão de humanização e de responsabilidade.

As mulheres seguem esperando pelos exames, mas o câncer e as outras doenças não esperam nem fazem cerimônia para se manifestarem. Juntos podemos oferecer dignidade e atendimento adequado para as nossas mulheres.

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