MAIS UMA TRAGEDIA BRASILEIRA

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* Jótha Marthyns

Quando baixam as águas no Rio Grande do Sul?

Segundo informações, a enchente de 1941 em Porto Alegre demorou mais de um mês para escoar toda a água acumulada na cidade, e tempo semelhante poderá durar nessa enchente de agora.

As explicações para essa demora são até simples. A altitude de Porto Alegre em relação ao nível do mar é de 10 metros, e algumas áreas estão a 6 metros. Isso torna a velocidade do fluxo da água muito baixa, já que depende da inclinação do terreno.

Das serras , da região central os rios Gravatai, Sinos, Caí, Taquari, e Jacuí, correm para o mar entrando no Lago do Guaíba dentro de porto Alegre.

No Rio Grande do Sul, os rios do Estado correm de suas nascentes para o leste, no sentido do mar, diferente, por exemplo, do Estado do Paraná, onde muitos rios correm para o oeste, até atingir o Rio Paraná.

A situação de Porto Alegre e de outras cidades, com cursos de rios para o leste, favorece enchentes em cidades com baixa altitude. Mas isso tem solução? Se considerarmos que a Holanda, um país bem organizado e com políticos competentes, e com uma agricultura evoluída, tomou do mar terras para aumentar sua área e praticar sobre elas a agricultura e pecuária, também o Brasil pode amenizar os efeitos negativos dessas catástrofes.

No Brasil temos ensino superior dirigido à Hidrologia e temos engenheiros hidrólogos com capacidade de equacionar problemas originários por falta ou excesso de água. Então, falta o que para ao menos amenizar essas desastrosas ocorrências? Evitar as futuras?
À memória das tristezas imensas, a ninguém dado contornar, a destruição de Porto Alegre pelas águas desprezíveis não nos permite esquecer as inúmeras tragédias causadas por chuvas que vem causando por anos seguidos, destruição, tragédias e mortes.

O homem tecnológico não tem como inadmitir seu fracasso ético. A má política do Rio Grande do Sul, que, por anos a fio, desprezou a previsão da catástrofe é o que temos como resultados. Governadores, prefeitos, vereadores, todos omissos e incompetentes.

A crueldade das águas poderia ser contida ou minimizada. A Cidade Baixa foi reconstruída sob o estímulo de seus poetas. Na lenta recuperação de Porto Alegre, se os corações falassem, só ouviríamos as lamentações dos entardeceres de uma democracia que
parece composta somente de urnas, e distribuição de bilhões de reais em emendas parlamentares.

O povo é item secundário para a maioria dos sucias lá dentro do Eixo do Mal em Brasília. Todos os anos as tragédias se repetem e nos deixam lições. Pessoas que perdem suas casas, seus pertences e até sua identidade, como é o caso do Rio Grande do Sul.

Do outro lado, vemos o improviso dos incompetentes governos lá do estado gaúcho. As pessoas estão recolhidas aos montes e colocadas em lugares inapropriados, sem segurança para as mulheres, idosos, crianças, fatos esses, porque nenhum governante pensou
que seria necessário abrigar tanta gente. Desta vez os prejuízos são incalculáveis.

Cidades inteiras desapareceram, assim como muitos morreram, mais de uma centena de pessoas desaparecidas, e outros tantos continuam sem ter para onde ir. Não bastasse o sofrimento dessas pessoas, ladrões invadindo casas, lojas, e levar o pouco que
restou. Quanta tristeza com essas criaturas do mal. 

E as eleições? Ah, os candidatos estão em busca de votos. Para acabar com o populismo, os mandatos deveriam ser prorrogados para mais dois anos, tempo suficiente para ver quem será capaz de reconstruir a cidade e abrigar seus habitantes 

A situação é infeliz, quiçá desesperadora. Não há clima para se pensar em eleições. Antes disso, as pessoa precisam voltar para suas casas, as crianças retomarem as aulas e o comércio abrir suas portas, restaurar a economia geral.

Tudo muito difícil. Mas o povo brasileiro é solidário, acolhedor e tem dado mostras do quanto está preparado para enfrentar problemas. Já os governos ficam discutindo quanto de dinheiro deverão distribuir, quem deve levar mais, qual partido, etc.

O lado positivo da tragédia expõe o amadorismo da classe política desta PÁTRIA AMADA BRASIL, a começar dos municípios, mas, barbaridade Tchê,’ ‘a solidariedade do povo brasileiro com a população flagelada do Rio Grande do Sul, surpreende.


* Jótha Martins é jornalista, radialista, publicitário, graduado em Direito, escritor.

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