Logo Portal Ternura
19/07 - IBITINGA-SP
° °
Jótha Marthyns

Jótha Marthyns


O que há de errado com Darwin?


A partir do Homus Sapiens Neanderthalensis a evolução da espécie humana foi iniciada há pelo menos 6 milhões de anos, alcançando até hoje  variações, mutações  nunca dantes imaginada pela nossa vã filosofia.  

* Jótha Marthyns

Ao iniciar um artigo me sinto um  ¹Virgilio,  o poeta que virou personagem de ²A Divina Comédia.  Mas caio de imediato na real. Afinal estou em Monte Alto.   Sou o que sou, igual a bilhões de terráqueos, minúsculas partículas dentro da poeira do Universo ao sabor de atrações gravitacionais dos planetas deste sistema contornando em torno do  Sol.

Assim caminha a humanidade. Vagando no espaço em movimento de rotação  em 1675 km/h,  aproximadamente 465 m/s., este Mundo  continua peregrinando decadente desde o surgimento das primeiras civilizações (sic).

Neste  início de século XXI  cada vez mais lembra o livro  1984, um romance distópico da autoria do escritor inglês ³George Orwell e publicado em 1949 o qual, no dia 8 de junho, fez aniversário de 70 anos da primeira edição.

Esse autor reportou em sua obra ficcionista o repúdio às atrocidades da extrema direita na primeira metade do século XX após 1945, levou à valorização dos direitos humanos e, em especial, diante da exclusão da proteção jurídica aos judeus pelo Direito da Alemanha nazista, à valorização da dignidade da pessoa humana.

Século XXI. 25 de junho de 2019. Corre o mundo foto de jovem pai e filha de menos de 2 anos encontrados mortos abraçados ao tentarem a travessia do rio Grande, na fronteira entre o México e EUA.

Galera atenção. Esse decadente mundo de início de século cada vez mais lembra o enredo do  livro  1984. Para demonstrá-lo, basta citar um episódio que se passa ainda no início da obra-prima de George Orwell:

“(...) bombardeio de um navio cheio de refugiados em algum lugar do Mediterrâneo. (...) um bote salva-vidas cheio de crianças com um helicóptero pairando logo acima. Tinha uma mulher de meia idade talvez uma judia sentada na proa com um garoto de uns três anos no colo. Garoto chorando de medo e escondendo a cabeça entre os seios dela, (...) e o tempo todo cobria o garoto o máximo possível como se achasse que seus braços iam conseguir protegê-lo das balas. Aí o helicóptero largou uma bomba de vinte quilos bem no meio deles...”

Sim. Aqui o obvio é ululante. Orwell ‘profetizou’ até mesmo o padecimento dos refugiados no Mediterrâneo, onde, em 2015, se afogaram os irmãos Aylan (3), Galib (5) e sua mãe, Rihan Kurdi (35), fugindo da guerra na Síria. Tragédias iguais ali e em outras partes se sucedem  ante os descasos  do resto do planeta.

A foto de Aylan deitado de bruços sem vida em uma praia turca é uma das mais tristes e desesperadoras imagens da história. Ela e, agora também, a foto e vídeo de pai e filha abraçados no rio Grande podem representar o fim da picada da humanidade.

Pára tudo. Seria o autor de ‘1984’,  viajante  que foi e voltou do  futuro? Sua obra ficcionista teve a intenção de alertar a humanidade para não seguir tamanhas tramas? Não. Nós não passamos a limpo as lições do passado. Continuamos a não aprender.

Reflexão. Entra e sai século, a burrice dos povos faz  a religião ser usada para agregar-se aos poderes políticos. Tudo vem de lá dos pés das Pirâmides, dentro das Cortes palacianas dos Faraós. 

O quadro pré-apocalíptico desse início de século faz com que a atualidade relacione-se muito também com  a Bíblia ter razões, motivos  e acertos  em  relatos  a começar pelo destaque que, alguns desses episódios    tem como palco a  mesma região onde passaram-se muitas das  narrativas bíblicas de extermínios fraticidas entre povos de ‘Nações  escolhidas’.   

De nada adiantou:

“ Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão. Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que de antemão vo-lo tenho dito. (Mateus 24:4-5, 24-26).

Tudo a ver nos dias de hoje com o surgimento dos pseudos lideres religiosos, (tal qual praga de gafanhotos) arrastando multidões incautas e acumulando fortunas e construindo impérios   Tudo se encaixa como o previsto em alertas dentro das  passagens bíblicas e do livro 1984.  

Não há mais tempo para dúvidas, cinismo ou tentativa de composição com as forças contrárias à civilização. É hora de estancar as  barbáries  de  governos nas  pessoas. Alternativas várias temos.  

O planeta, após duas grandes guerras mundiais, centenas de guerras regionais, revoluções, segue com enorme arsenal nuclear e problemas ambientais gravíssimos. O  mundo digital  é vulnerável e mais perigoso do que o da primeira metade do século XX.

Nesses Infernos de Dante o quadro humanidade está  emoldurado  em variações  de  tragédias mundiais, temendo diariamente por sugamento do planeta por buraco negro,  colisão de asteroides, invasão de alienígenas do mal,  terremotos, tsunamis, erupção de vulcões, incêndios de florestas e  edifícios, enchentes, naufrágios,  tufões, tornados, ciclones,  guerras e rumores de aumento de  conflitos armados  cruéis e sangrentos entre facções. Incluam-se as cotidianas violências de crimes  e tragédias urbanas em todas as Nações.

Nesse tenebroso contexto de temas prontos  para rodar filmes catastróficos, e de terror,   o planeta  continua sua odisseia girando. A raça humana se autodestrói via programas de  rádios, televisão,  (Big Brother) jornais, revistas, sites, redes sociais.

Somos assolados (propositalmente)  por teatrais  discursos sonolentos, vazios  e de mensagens subliminares  a começar de Plenários da ONU,  alcançando  a Praça dos Três Poderes do Eixo do Mal em Brasília, esparramando-se por Poderes Executivos e Legislativos e tentaculos junto aos  seus coadjuvantes.

Entendeu? Captou o sentido desta minha mensagem, leitor? Até aqui é o que você queria ler? Satisfeito? Vamos a conclusão.

Ao noticiar a morte de Oscar Alberto Martínez Ramírez e sua pequena filha Valeria no rio Grande, para alcançar os EUA,  o Jornal Nacional, da Rede Globo, em 26 de junho, fez questão de iniciar a matéria chamando os mortos de “imigrantes ilegais”.

Em seguida  esse  jornal foi encerrado com uma matéria burlesca sobre um nonsense sem graça de uma idosa britânica que queria ser presa e algemada.  Esta última matéria pretensamente jocosa reflete bem o fomento à falta de inteligência em nossa época e, principalmente, ao exibi-la em meio a gracejos dos notáveis apresentadores, a Rede Globo disse ao mundo inteiro que a tragédia humanitária na fronteira americana e seus mortos não têm importância nenhuma. Após, claro que não houve o tradicional silêncio em sinal de luto (como se alguns inexpressivos personagens nacionais  falecidos  fossem heróis) quando dos créditos. É a banalidade do mal em horário nobre.

Final. Mesmo não sendo uma especialista em música clássica, sugiro que ouçam,  obras de Vivaldi. Abraço e sucessos  sempre  a vocês.   

Referencias:

¹VIRGÍLIO.  Publius Vergilius Maro OU Marão foi um poeta romano clássico, autor de três grandes obras da literatura latina, as Éclogas, as Geórgicas, e a Eneida.

²Divina comedia. Escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso.

³ORWELL, George. 1984. São Paulo: Cia das Letras, 2019, p. 19.

* José Benedito Martins (Jótha Marthyns), 75 -  Jornalista,  editor MTB n.º 232/ SP, do Jornal A Tribuna, em Monte Alto/SP. e do Jornal A Tribuna Web Noticias. Repórter multimídia. Radialista. Influenciador digital. Idealizador, apresentador do Jornal da Tarde no Facebook. Colunista/Articulista no Portal Ternura FM / Ibitinga-SP. Publicitário. Palestrante – Mestre de Cerimônias -  Bacharel em Direito/2012. Curso Superior de Tecnólogo de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública I (Curso de Formação de Sargentos da PMESP); Cavaleiro em Comenda outorgada pela Soberana Orden Militar y Hospitalaria de Caballeros y Damas Nobles de Andalucía del Infante  Don Fernando y Santa Eufemia. - E-mail  [email protected]

Câmara Municipal de Ibitinga

Últimas colunas

José de Paiva Netto

José de Paiva Netto

Ecumenismo dos corações e Esperanto

Ecumenismo dos corações e Esperanto
Jótha Marthyns

Jótha Marthyns

O que há de errado com Darwin?

O que há de errado com Darwin?
Jótha Marthyns

Jótha Marthyns

Sempre Fundamentais em garantia à adaptação social.

Sempre Fundamentais em garantia à adaptação social.