Apadrinhado por Robinho e independente desde os 11: conheça a nova joia do Santos

Sandro Perpetuo tem 15 anos e é o capitão da equipe sub-17 do Peixe, vista no clube como a melhor geração recente. Garoto deixou a cidade natal ainda criança para buscar sonho de ser profissional


O que você fazia aos 11 anos? Com essa idade, a maioria mora com os familiares e tem a escola como a principal preocupação. E se, ainda criança, tivesse de deixar a cidade natal e a companhia dos pais e irmãos para iniciar uma carreira em um lugar onde nunca esteve?

Esse foi o caminho tomado por Sandro Perpetuo, hoje capitão da equipe sub-17 do Santos, vista como a melhor geração do clube desde os tempos de Diego e Robinho. O jovem de 15 anos é volante, mas também atua como lateral-direito.

Antes de chegar ao Peixe e virar um dos destaques das categorias de base, Sandro teve de arriscar. Sem nunca ter treinado em campo, o garoto acostumado ao futsal foi descoberto em uma peneira do Alvinegro em Governador Valadares, no interior de Minas Gerais. Depois de alguns dias de observação na Baixada Santista, veio o convite para atuar no sub-11.

Sandro Perpetuo chegou ao Santos aos 11 anos (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Sandro Perpetuo chegou ao Santos aos 11 anos

A notícia era o começo da realização de um sonho, mas, por outro lado, surgiu um dilema. Os pais e a irmã não poderiam sair de Minas naquele momento. E, aos 11 anos, o menino pediu à família para ir sozinho. A solução foi morar com uma "mãe cuidadora". A senhora, mãe de um dos companheiros da base, dava assistência também a outros atletas, todos mais velhos, com situação semelhante. Sandro passava a ter uma nova família.

– Eu não tinha medo. Não poderia abrir mão do meu sonho. Tive de convencer meus pais para poder ir embora – relembra Sandro.

Sandrinho, como é chamado pelos colegas, começou a cavar espaço na nova cidade. Enquanto isso, os pais buscavam meios de deixar Governador Valadares à procura de novos empregos – o pai é representante comercial e a mãe, professora. As visitas demoravam, pelo menos, um mês para acontecer.

O meio-campista aprendeu a ser independente desde cedo. Cuidava das suas coisas, dos horários da escola e do treinamento. Segundo os pais, nunca tirava nota vermelha ou chegava atrasado ao CT. Tudo isso, mesmo convivendo com a saudade da família e as zoeiras dos companheiros de casa.

– Eu era o mais novo, criança, eles pegavam no meu pé, me zoavam, pediam para eu fazer as coisas. E eu tinha de tentar me impor. Serviu para eu amadurecer rápido – conta.

Sandro se tornou capitão do Santos aos 11 anos. E segue com a faixa até hoje, no sub-17 (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

Sandro se tornou capitão do Santos aos 11 anos. E segue com a faixa até hoje, no sub-17

E o amadurecimento foi refletido em campo. Além do bom desempenho nos treinos, ele se mostrava "menos criança" que os demais colegas. A liderança e o comportamento exemplar levaram o técnico Luciano Santos, que hoje comanda o jogador no sub-17, a promovê-lo a capitão.

Àquela altura, Sandrinho já estava adaptado. E a situação ficou ainda mais confortável quando a advogada Marisa Alija passou a cuidar da carreira do jogador. Robinho, principal cliente da profissional, virou seu "padrinho".

– O Robinho costuma conversar comigo. Ele sempre me pede para jogar com alegria. E diz que nunca vai faltar espaço para quem trabalha forte. Ele é um ídolo, procuro ouvir cada palavra dele – explica Sandro.

A empresa não gere só questões futebolísticas, mas também pessoais do atleta e da família. O auxílio financeiro e o suporte da advogada facilitaram a vinda dos pais e da irmã dois anos depois da chegada de Sandro à Baixada Santista.

Sandro Perpetuo é "afilhado" de Robinho no futebol (Foto: Arquivo Pessoal)

Bem em campo e mais feliz fora dele, o volante deslanchou. Convocações para as seleções de base do Brasil viraram uma constante. E foi com a camisa verde e amarela que ele aprendeu a atuar como lateral-direito. Polivalente, pode jogar também como segundo volante e meia.

– No Santos, jogo mais como volante. Na Seleção, costumo atuar como lateral-direito. Gosto das duas funções, estou acostumado. O que importa é jogar. E é bom saber desempenhar várias funções – afirma.

E o desejo por ser multifuncional não se restringe apenas aos gramados, onde é capitão, faz mais de uma função e é destaque em todos os testes físicos. Sandro gosta de estudar. E até reclama pela falta de exigência no colégio.

Como treina geralmente em dois períodos, Sandrinho frequenta uma escola pública, à noite. E não costuma ter dificuldades. O maior desafio agora é aprender novas línguas. O garoto está se formando em inglês e deseja iniciar, em breve, o curso de espanhol. E, diferentemente da grande maioria dos atletas, pretende fazer faculdade futuramente.

Sandro coleciona convocações por seleções brasileiras de base (Foto: Arquivo Pessoal)

Sandro coleciona convocações por seleções brasileiras de base

– Eu gosto de aprender e de estudar. Quero sempre aprender coisas novas. É estranho, mas gosto de estudar e de treinar. Até de treino físico, eu gosto – confessa Sandro, antes de ser interrompido pelo orgulhoso pai, que também se chama Sandro.

– Esse aí tem um pulmão de ouro! Corre muito, não se cansa. Sabe quanto ele correu em um amistoso nesse ano? Oito quilômetros! – diz, radiante.

O domínio de outros idiomas vai ajudar Sandro em caso de transferência para a Europa. Mas o jogador não pensa nisso agora. Ele adora acompanhar os jogos de fora, porém, almeja fazer história no Santos antes de deixar o Brasil.

Sandro Perpetuo vai se formar em inglês e quer aprender espanhol (Foto: Arquivo Pessoal)

Sandro Perpetuo vai se formar em inglês e quer aprender espanhol

– Eu penso em fazer meu nome aqui antes de sair, não quero ser mais um. Quero jogar bem, ser reconhecido, ganhar títulos e, aí, eu pensaria em sair – projeta o garoto.

– A gente vê o Zito, eterno capitão, e pensa em ver o Sandro assim. Quem sabe, né? – sonha o pai.

Sandro Perpetuo completará 16 anos no dia 29 de junho e, a partir daí, poderá assinar o primeiro contrato profissional com o Santos. O volante não tem a mesma "vitrine" de colegas como Rodrygo e Yuri Alberto, que já estão na mira de europeus, mas o clube aposta em um futuro brilhante. É esperar para ver.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/sp/santos-e-regiao/futebol/times/santos/noticia/apadrinhado-por-robinho-e-independente-desde-os-11-conheca-a-nova-joia-do-santos.ghtml


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