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"Dama de Ferro", Thelma Tavernari tem 101 títulos e dirige os gigantes do sub-15 do Brasil

Aos 65 anos, ex-jogadora da seleção brasileira trabalha como técnica desde os 25 e no ano passado recebeu da nova gestão da CBB a chance de dirigir a base do Brasil


Thelma Tavernari. Mas pode chamar de "Dama de Ferro". Dona de mais de 100 títulos nas categorias de base do basquete brasileiro, a técnica finalmente ganhou uma oportunidade na seleção brasileira. Desde o ano passado, ela é a responsável por lapidar os meninos da seleção sub-15 do Brasil. Com história no basquete paulista, Thelma construiu uma carreira de respeito, vencendo praticamente tudo o que disputou pelo Pinheiros. As taças, contudo, não vieram acompanhadas de oportunidades no selecionado nacional. No começo da carreira, há mais de 39 anos, ela confessa que sentia preconceito. Hoje, não mais. E celebra a possibilidade de dirigir homens sem ter sua capacidade questionada.

- No começo, 78, 79 quando eu fui técnica de uma seleção paulista, o torneio foi no Sul do país. E me questionaram muito como eu fazia para conversar com os atletas. E eu disse: a mesma forma que o meu técnico faz. A gente se arruma, se troca e o técnico vai para o vestiário. Isso não é o problema. As pessaos me respeitam bastante - explica Thelma.

Thelma Tavernari é a técnica da seleção brasileira sub-15 — Foto: Bello/CBB

Thelma Tavernari é a técnica da seleção brasileira sub-15

Thelma, 65 anos, é formada em educação física, psicologia e pedagogia. Assumiu o Brasil no ano passado, para a disputa do Sul-Americano sub-14. O Brasil foi campeão vencendo a Venezuela por 73 a 28. Mas sua história no basquete vem de muito, muito antes. Thelma foi atleta e desde os 25 anos, ainda em atividade dentro das quadras, trabalha nas categorias de base. O título de 2017 contra os venezuelanos foi o de número 101 na sua carreira. Da CBB, recebeu uma placa das mãos de Oscar Schmidt. Há 25 anos ela é coordenadora de toda a base do Pinheiros, um dos times que mais revela atletas no país.

- Para mim é uma honra treinar uma seleção brasileira. É o meu trabalho, eu trabalho no masculino e para mim é normal. Conheço todos os meninos. A gente joga contra todas as semanas. A gente se respeita bastante. E é um grupo bom, a gente brinca bastante e quando é sério, na hora do jogo se tiver que levar bronca vai levar e é tranquilo. E eu gosto muito de trabalhar no masculino - explica.

Thelma é mãe de Jonathan Tavernari, brasileiro que atua desde 2013 na Itália. A partir do dia 6, ela vai dirigir o Brasil no Sul-Americano sub-15, em Montevidéu, no Uruguai. O Brasil é um dos favoritos ao título e terá em seu grupo Paraguai, Uruguai e Equador. Os dois melhores vão para às semifinais. Labutando com meninos que poderiam ser seus netos, ela garante que é uma mãe durona.

Thelma com os meninos da seleção sub-14 no Sul-Americano do ano passado — Foto: Divulgação/CBB

Thelma com os meninos da seleção sub-14 no Sul-Americano do ano passado

- Eu tenho um filho que joga profissional. Na Europa, na Itália. E eu falo para eles que a hora que tem que dar o afago eu vou dar, mas a hora que eu tenho que puxar orelha, também vou puxar.

Thelma acredita que essa nova geração brasileira, com média de altura de 1,91m e com três meninos abaixo dos 15 anos mas acima de 2,00m, pode render muitos frutos ao país nos próximos ciclos olímpicos.

- Nós temos três armadores que são verdadeiros talentos e nós temos meninos grandes também com bastante talento. É uma geração boa, forte, grande. E assim, nossa perspectiva é que para Olimpíada. Não nessa próxima, mas em 2024, a gente tenha pelo menos uns cinco meninos daí - cita Thelma.

Trabalhar com profissionais nunca foi sua meta. Certa vez, a técnica disse que sua vaidade era ver os seus meninos chegarem até a seleção. E ela segue assim. Mas lembra que seus comandados, cada vez mais, sonham com a NBA também.

- Eu acho que NBA é o sonho de todos né? Só que a gente fala para eles. A meta é trabalhar. Nós estamos na fase, comparando NBA, na fase de escolinha. De aprendizado, para depois a gente pensar numa categoria acima, para depois a gente pensar num adulto, para depois sonhar em NBA. E a coisa mais fundamental que eu acho que eles têm que fazer. Eles têm que entender que eles têm que estudar.Porque quem tem dificuldade de entendimento não joga basquete. Para jogar basquete tem que ser inteligente - finaliza.

Satisfeita com o trabalho, Thelma acredita que o que falta no Brasil é sequência e não talento. A treinadora crê que essa geração tem um longo caminho de sucesso pela frente.

- Tem futuro e um futuro brilhante. A gente tem tudo que precisa para gente estar se destacando cada vez mais no Brasil. Nós estamos com muitos mais meninos agora treinando, meninos com potencial físico, com nível técnico bom e eu quero aqui defender a minha classe. Porque base, a gente tem e a gente trabalha muito. Falta um pouquinho de sequência. O que quer dizer que falta sequência? Por exemplo, um menino com 15 anos. Ele não tem condição de continuar jogando basquete, ele vai estudar, vai trabalhar. Essa sequência com a lei do incentivo, ajuda do COB é o que está fazendo a gente conseguir segurar um pouquinho mais aqueles meninos com menos condições para continuar jogando basquete.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/basquete/noticia/dama-de-ferro-thelma-tavernari-tem-101-titulos-e-dirige-os-gigantes-do-sub-15-do-brasil.ghtml


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