Logo Portal Ternura
12/07 - IBITINGA-SP
° °

Equipes já deram modelos de carros diferentes aos seus pilotos em GPs de F1

Antigamente, estreia dos novos carros costumava acontecer já com campeonato em andamento, e só um piloto ganhava a nova máquina; mas houve também outras situações curiosas


Durante esta quarentena pela pandemia de coronavírus, tenho assistido a várias corridas antigas. Primeiro, porque realmente gosto de relembrar, e, segundo, para pegar ideias de possíveis posts em potencial para o F1 Memória. E foi vendo o GP dos EUA-Oeste de 1983, em Long Beach, que me deu um estalo para este post. Explico:

A Renault se apresentou para aquela corrida com dois carros diferentes para seus pilotos; enquanto Alain Prost estreou o novo carro, seu companheiro Eddie Cheever usou o antigo. Daí comecei a relembrar outros casos e fucei outros nos meus alfarrábios para chegar a este post bastante interessante. Confira outros casos de equipes que deram carros diferentes a seus pilotos.

Lotus 49 x 72 / 4 GPs em 1970

Jochen Rindt com a Lotus 72 no GP da Inglaterra de 1970 — Foto: Reprodução/rede social

Jochen Rindt com a Lotus 72 no GP da Inglaterra de 1970 — Foto: Rede social

Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula 1 no GP da Inglaterra de 1970 — Foto: Getty Images

Emerson Fittipaldi estreou na Fórmula 1 no GP da Inglaterra de 1970 — Foto: Getty Images

Em 1970, Colin Chapman revelou ao mundo sua mais nova joia: a Lotus modelo 72. O revolucionário carro tinha um conceito aerodinâmico totalmente diferente e o objetivo de aumentar a velocidade nas curvas. Na Espanha, Chapman só inscreveu o primeiro piloto Jochen Rindt com o 72. Depois, na Bélgica, o segundo piloto John Miles recebeu o 72, enquanto Rindt voltou ao antigo 49C. Nas três corridas seguintes, os dois usaram o 72, mas um terceiro carro, um modelo 49, foi entregue a um estreante chamado Emerson Fittipaldi, que o pilotou em três provas. Com a morte de Rindt em Monza e a aposentadoria repentina de Miles, Emerson e o novo companheiro Reine Wisell usaram o 72.

McLaren M23 x M26 / Holanda-1976

James Hunt guiou McLaren M23 no GP da Holanda de 1976 — Foto: Getty Images

James Hunt guiou McLaren M23 no GP da Holanda de 1976 — Foto: Getty Images

Jochen Mass estreou McLaren M26 em Zandvoort, em 1976 — Foto: Reprodução/rede social

Jochen Mass estreou McLaren M26 em Zandvoort, em 1976 — Foto: Rede social

No épico campeonato de 1976, James Hunt perseguia de forma implacável o campeão Niki Lauda na tabela. O austríaco se recuperava do acidente em Nürburgring, quando a F1 chegou à Holanda, e a McLaren deu uma cartada. Entregou o novo modelo M26 ao segundo piloto Jochen Mass para testá-lo. Se aprovado, Hunt deixaria o M23 e passaria a usar o novo carro nas provas seguintes. Enquanto Hunt largou em segundo e venceu a prova em Zandvoort, Mass largou em 15º e foi o nono, uma volta atrás do companheiro. O novo carro ainda estava muito "verde" e foi preservado até o meio de 1977. E, com o velho M23, Hunt conquistou o título na dramática decisão com Lauda no Japão.

Lotus 78 x 79 / 2 GPs em 1978

Lendária Lotus 79 estreou no GP da Bélgica de 1978, com Mario Andretti — Foto: Reprodução

Lendária Lotus 79 estreou no GP da Bélgica de 1978, com Mario Andretti — Foto: Reprodução

Ronnie Peterson guiou Lotus 78 no GP da Bélgica de 1978 — Foto: Getty Images

Ronnie Peterson guiou Lotus 78 no GP da Bélgica de 1978 — Foto: Getty Images

Após bater na trave em 1977 com o veloz modelo 78, a Lotus de Colin Chapman amplificou o conceito de carro-asa para o novo 79. O carro estreou na sexta corrida da temporada de 1978, na Bélgica, e só Mario Andretti pôde guiá-lo. Na classificação, o americano fez de cara a pole, enquanto Peterson foi o sétimo, 1s72 atrás. Andretti liderou a corrida de ponta a ponta, demonstrando o potencial do 79, mas Peterson fez brilhante corrida com o 78 e chegou em segundo, a apenas 9s9 do companheiro de equipe. Na sequência, Ronnie teria o 79, mas, como não podia atacar Mario por contrato, não conseguiu brigar efetivamente pelo título, além de ter morrido em decorrência de um acidente em Monza. Nesta prova, diga-se, Peterson teve de usar o 78 por ter destruído o 79 numa batida no warm up.

McLaren M29C x M30 / 4 GPs em 1980

John Watson pilota McLaren M29 na temporada de 1980 — Foto: Getty Images

John Watson pilota McLaren M29 na temporada de 1980 — Foto: Getty Images

Alain Prost pilotou McLaren M30 pela primeira vez em Zandvoort, em 1980 — Foto: Getty Images

Alain Prost pilotou McLaren M30 pela primeira vez em Zandvoort, em 1980 — Foto: Getty Images

Em 1980, a McLaren vinha mal, e, até a décima etapa, era só a oitava no Mundial de Construtores, com sete pontos. Estava atrás até da equipe Fittipaldi. Foi quando o time decidiu estrear na Holanda o modelo M30, com distância entre-eixos menor do que a do M29. O novo carro projetado por Gordon Coppuck foi conferido a Alain Prost, enquanto John Watson seguiu com o antigo. Em Zandvoort, Watson largou em nono, e Prost, em 18º, mas na corrida o francês alcançou ótimo sexto lugar, enquanto o companheiro parou. Até o fim do ano, só Prost usou o M30, e no Canadá, curiosamente, ele e Watson andaram juntos boa parte da prova, respectivamente em quarto e terceiro. Mas Alain quebrou, e o parceiro foi o quarto. E o M30 saiu de cena com apenas quatro corridas, já que a McLaren foi comprada por Ron Dennis, e este escolheu como projetista John Barnard para projetar um novo carro.

Brabham BT49 x BT50 / 3 GPs em 1982

Riccardo Patrese e sua Brabham-Ford BT49 no GP de Mônaco de 1982 — Foto: Getty Images

Riccardo Patrese e sua Brabham-Ford BT49 no GP de Mônaco de 1982 — Foto: Getty Images

Piquet acelera Brabham-BMW BT50 no GP de Mônaco de 1982 — Foto: Getty Images

Piquet acelera Brabham-BMW BT50 no GP de Mônaco de 1982 — Foto: Getty Images

Em 1982, a Brabham começou o campeonato com o modelo BT50 com o novo motor BMW turbo, mas estava claro que o propulsor carecia de desenvolvimento. Com isso, Nelson Piquet e Riccardo Patrese voltaram ao modelo BT49 de motor Ford-Cosworth aspirado, e o plano era adotar definitivamente o novo conjunto quando estivesse totalmente desenvolvido. Mas a BMW pressionou a Brabham e ameaçou romper o contrato. Uma solução de meio-termo foi alcançada, e Piquet passou a usar o BT50 com motor turbo, e Patrese, o BT49 com propulsor aspirado. Isso aconteceu em três corridas, e noutra, em Detroit, Nelson não se classificou para o grid. Ironicamente, na última prova em que os dois correram com modelos diferentes, no Canadá, Piquet venceu, e Patrese foi o segundo.

Renault RE30C x RE40 / EUA Oeste-1983

Eddie Cheever com a Renault RE30C em Long Beach, em 1983 — Foto: Reprodução/rede social

Eddie Cheever com a Renault RE30C em Long Beach, em 1983 — Foto: Rede social

Prost estreou Renault RE40 no GP dos EUA-Oeste de 1983 — Foto: Reprodução/rede social

Prost estreou Renault RE40 no GP dos EUA-Oeste de 1983 — Foto: Rede social

Na primeira corrida de 1983, a Renault usou um carro adaptado do modelo do ano anteiror, o RE30C. Com ele, Alain Prost foi o segundo no GP do Brasil, longe do vencedor Nelson Piquet e ainda assim porque houve muitos abandonos. Com isso, a equipe apressou a estreia do novo modelo RE40 para o GP dos EUA-Oeste, em Long Beach, apenas no carro de Prost. Com 12 quilos a menos em relação ao RE30C, o RE40 tinha chassis todo feito em fibra de carbono, material que era a nova sensação, e uma aerodinâmica bastante modificada. Em Long Beach, Prost foi o oitavo no grid, sete posições à frente do companheiro Eddie Cheever, mas na corrida o francês se atrasou logo no começo com problemas no carro, enquanto o americano abandonou quase no fim quando era o quinto. Com o RE40 disponível para os dois pilotos na sequência do campeonato, Prost ficou com o vice, perdendo para Piquet.

McLaren MP4/1C x MP4/1E / Holanda-1983

Com McLaren-Ford MP41D, John Watson correu GP da Holanda de 1983 — Foto: Reprodução/rede social

Com McLaren-Ford MP41D, John Watson correu GP da Holanda de 1983 — Foto: Rede social

Niki Lauda estreou McLaren MP41E de motor Porsche na Holanda, em 1983 — Foto: Getty Images

Niki Lauda estreou McLaren MP41E de motor Porsche na Holanda, em 1983 — Foto: Getty Images

Ainda em 1983, a McLaren cedeu às pressões de Niki Lauda para antecipar a estreia do motor Porsche turbo, já que, com os V8 aspirados da Cosworth, a equipe vinha sofrendo. No GP da Holanda, apenas o austríaco guiou o novo modelo MP4/1E, mas a combinação ainda estava "verde", tanto que Lauda não passou de 19º no grid, quatro postos atrás de Watson. Este fez uma excelente corrida e terminou em terceiro, com Niki abandonando por problemas de freios. Dali até o fim do ano, ambos usariam o novo modelo com motor Porsche, numa preparação para o campeonato de 1984. Deu certo, e a equipe dominou a temporada, com Lauda conquistando seu terceiro título.

Alfa Romeo 184TB x 185T / Inglaterra-1985

Eddie Cheever corre com Alfa Romeo 184TB na Inglaterra, em 1985 — Foto: Reprodução/rede social

Eddie Cheever corre com Alfa Romeo 184TB na Inglaterra, em 1985 — Foto: Rede social

Patrese correu em Silverstone, em 1985, com Alfa Romeo 185T — Foto: Reprodução/rede social

Patrese correu em Silverstone, em 1985, com Alfa Romeo 185T — Foto: Rede social

A Alfa Romeo vinha tendo péssima temporada em 1985. Não bastasse o beberrão motor turbo, o modelo 185T era um desastre em termos de estabilidade, o que prejudicava os pilotos Riccardo Patrese e Eddie Cheever. No GP da Inglaterra, em Silverstone, a equipe fez algo radical: deu o chassis de 1984, o 184T, a Patrese, enquanto Cheever manteve-se com o modelo de 1985. O objetivo foi aferir as diferenças entre os carros e escolher com que máquina o time seguiria até o fim do ano. A Alfa concluiu que o carro de 1984 era melhor do que o de 1985 e o manteve até o fim do ano, o último da equipe na F1 antes de um hiato de mais de três décadas.

Brabham BT54 x BT55 / Inglaterra-1986

Warwick, com Brabham BT55, à frente de Patrese, com o modelo BT54 — Foto: Reprodução/rede social

Warwick, com Brabham BT55, à frente de Patrese, com o modelo BT54 — Foto: Rede social

Riccardo Patrese guia Brabham-BMW BT54 em Brands Hatch, em 1986 — Foto: Reprodução/rede social

Riccardo Patrese guia Brabham-BMW BT54 em Brands Hatch, em 1986 — Foto: Rede social

A exemplo do que fez a Alfa Romeo em 1985, a Brabham usou o GP da Inglaterra de 1986 para comparar o desempenho de seus carros, o BT54 do ano anterior e o revolucionário BT55, que vinha tendo muitos problemas. Riccardo Patrese ficou com o carro antigo, enquanto Derek Warwick correu com o novo em Brands Hatch. Na classificação, o inglês foi um segundo mais rápido e largou seis posições à frente (nono contra 15º). Já na corrida os dois andaram juntos quase o tempo todo, chegando a ficar em quinto e sexto. Patrese abandonou com o motor quebrado, enquanto Warwick foi castigado com uma pane seca na última volta, quando era o quinto. Feito o teste, a Brabham decidiu correr com o BT55 nas demais etapas do ano.

Williams FW12C x FW13 / Espanha-1989

Riccardo Patrese guiou Williams FW12C na Espanha, em 1989 — Foto: Reprodução

Riccardo Patrese guiou Williams FW12C na Espanha, em 1989 — Foto: Reprodução

Em Jerez, em 1989, Thierry Boutsen pilotou Williams FW13 — Foto: Getty Images

Em Jerez, em 1989, Thierry Boutsen pilotou Williams FW13 — Foto: Getty Images

Em 1989, sem chances de título, a Williams antecipou o lançamento do modelo FW13, que só estrearia em 1990, para as provas finais de 1989. Em Portugal, Riccardo Patrese (olha ele aí de novo!) e Thierry Boutsen usaram o novo carro pela primeira vez, mas ambos abandonaram devido a problemas de motor, que estouraram por problemas de vibração no novo chassi. Na corrida seguinte, na Espanha, Patrese decidiu correr com o antigo FW12C, enquanto Boutsen topou encarar mais uma corrida com o FW13 sem pleno desenvolvimento. O belga pagou o pato, pois largou numa terrível 21ª posição, com o italiano em sexto. Na corrida, Patrese terminou em quinto, somando dois pontos, e Boutsen abandonou com problemas na bomba de gasolina quando era o 15º. Nas duas provas finais de 1989, Japão e Austrália, os dois usaram o FW13 e obtiveram excelentes resultados, com uma vitória e um terceiro lugar para Thierry e dois segundos para Riccardo.

Ferrari F2001 x F2002 / Brasil-2002

Barrichello teve de usar Ferrari F2001 no GP do Brasil de 2002 — Foto: Getty Images

Barrichello teve de usar Ferrari F2001 no GP do Brasil de 2002 — Foto: Getty Images

Schumacher acelera Ferrari F2002 em Interlagos, em 2002 — Foto: Getty Images

Schumacher acelera Ferrari F2002 em Interlagos, em 2002 — Foto: Getty Images

No começo dos anos 2000, a Ferrari vivia o auge de seu poderio. O modelo F2001 se mostrou tão forte, que a equipe decidiu começar a temporada de 2002 com o carro antigo, enquanto a nova F2002, que estava atrasada, era finalizada. Mas, depois de a Williams dominar a segunda prova da temporada, na Malásia, a Ferrari apressou a estreia do novo carro para o GP do Brasil. Apenas Michael Schumacher recebeu a F2002, foi o segundo no grid e venceu, enquanto Rubens Barrichello, que largou em oitavo, chegou a liderar brevemente pois tinha menos gasolina no carro para fazer dois pit stops, mas abandonou com problemas hidráulicos. O irônico é que a justificativa dada a Rubinho para que apenas a ele fosse dado o carro antigo é que a Ferrari precisava garantir pontos devido à confiabilidade da F2001... Bem, dali em diante, os dois usaram a F2002, e a equipe dominou amplamente a temporada.

Fonte:https://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/blogs/f1-memoria/post/2020/05/24/equipes-ja-deram-modelos-de-carros-diferentes-aos-seus-pilotos-em-gps-de-f1-relembre-casos.ghtml


Comentários (0)

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
criar um comentário

Esportes

mais notícias

Manchester United pegará Copenhague ou Basaksehir se avançar na Liga Europa
há 1 dia atrás

Manchester United pegará Copenhague ou Basaksehir se avançar na Liga Europa

Manchester United pegará Copenhague ou Basaksehir se avançar na Liga Europa
PSG de Neymar encara a Atalanta nas quartas de final da Liga dos Campeões: veja os confrontos
há 1 dia atrás

PSG de Neymar encara a Atalanta nas quartas de final da Liga dos Campeões: veja os confrontos

PSG de Neymar encara a Atalanta nas quartas de final da Liga dos Campeões: veja os confrontos
F1 confirma inclusão de Mugello e Sochi na temporada 2020; calendário tem agora dez etapas
há 2 dias atrás

F1 confirma inclusão de Mugello e Sochi na temporada 2020; calendário tem agora dez etapas

F1 confirma inclusão de Mugello e Sochi na temporada 2020; calendário tem agora dez etapas
Em luta de despedida, Minotouro sonha nocautear Shogun e dispara:
há 2 dias atrás

Em luta de despedida, Minotouro sonha nocautear Shogun e dispara: "Vai ser emocionante"

Em luta de despedida, Minotouro sonha nocautear Shogun e dispara: "Vai ser emocionante"
Botafogo anuncia contratação de Salomon Kalou
há 2 dias atrás

Botafogo anuncia contratação de Salomon Kalou

Botafogo anuncia contratação de Salomon Kalou