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20/09 - IBITINGA-SP
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Ex-braço direito de Mourinho, irmão de Romero Britto e fuga da primavera árabe: as histórias de Baltemar

Pernambucano de nascimento e português de adoção, o hoje treinador do Union Titus, de Luxemburgo, tem histórias para contar da época de auxiliar de Mourinho e de "carreira solo"


A biografia de Baltemar Brito, 66 anos, definitivamente não é comum. Pernambucano de nascimento, ex-jogador com carreira construída em Portugal, hoje ele é treinador no Union Titus, do pequenino país europeu Luxemburgo. Esses, porém, não são os traços mais marcantes de sua trajetória. Ele tem relação com duas estrelas internacionais. Foi braço direito do português José Mourinho, técnico do Manchester United, por muitos anos. E é irmão do artista plástico Romero Britto, mundialmente conhecido. Além disso, acumula passagens curiosas sobre centros pouco conhecidos - como o futebol da Líbia, de onde teve de fugir às pressas durante as revoltas da Primavera Árabe.

Baltemar (E) foi braço direito de Mourinho por sete anos — Foto: Arquivo pessoal

Baltemar (E) foi braço direito de Mourinho por sete anos

Essa longa história, que passa por vários lugares do mundo, começa em Pernambuco. Aos 18 anos, o então peladeiro Baltemar faz um teste no América-PE e passa. De lá, tem passagens por Santa Cruz e Sport - quando, aos 24 anos, decide fazer um caminho pouco comum até então: seguir carreira em Portugal.

Nos campos lusos, o zagueiro atuou por 14 anos. Encerrou a carreira em 1988. Foi lá, também, que conheceu José Mourinho, que anos mais tarde se tornaria um dos técnicos mais conhecidos e vitoriosos do mundo - em cujos primeiros títulos Baltemar teve participação ativa.

"Eu trabalhei por anos com o pai dele (José Mourinho), que era treinador no Varzim e no Rio Ave (equipes portuguesas). Num desses anos, Zé treinou com a gente, enquanto esperava a faculdade começar. Nesse período, estreitamos muito a amizade. Anos depois, já como treinador, ele me fez o convite para trabalharmos juntos."

Quando surgiu o convite para Baltemar, Zé (como ele chama) ainda não era o Mourinho. Tinha passado três meses no Benfica, mas fora dispensado - e precisava retomar a carreira no modesto União Leiria. A sensação do pernambucano, no início, não foi de total confiança. Mas isso mudou no início dos trabalhos em campo.

- Quando eu conversei com ele, não pensei que ele viraria esse grande treinador. Mas quando comecei a trabalhar, percebi que Zé tinha pernas grandes e daria passos largos. Foi um processo totalmente novo. Eu desconhecia tudo que ele queria implantar. Tive que passar uma borracha em tudo que eu achava que sabia. Depois que vi como ele transformava as ciências do papel para o campo com a maior facilidade, vi que ele seria diferente.

Baltemar (segundo em pé da esquerda para a direita, de bigode) foi zagueiro em Portugal por 14 anos — Foto: Arquivo pessoal

Baltemar (segundo em pé da esquerda para a direita, de bigode) foi zagueiro em Portugal por 14 anos

Títulos e amizade

A relação profissional começou no União Leiria em 2001 e se encerrou no Chelsea em 2008. A ligação pessoal se mantém até hoje. Nos sete anos em que foi braço direito de Mourinho, o pernambucano ganhou tudo: foi campeão português e da liga dos campeões com o Porto-POR e conquistou dois títulos ingleses com o Chelsea. Apenas para ficar nas maiores taças.

Mais do que isso, ele pôde conhecer um Mourinho diferente do que é julgado como arrogante pela imprensa e provocador por colegas treinadores.

"(Mourinho) É um cara de fino trato. Tem defeitos, como todos nós temos, mas é um homem em que as virtudes pesam muito mais do que os defeitos", diz Baltemar com certo acento português que adquiriu após tantos anos.

É por isso, pelas qualidades pessoais e pelo talento em formar times vencedores, que Baltemar crê em uma guinada de Mourinho no Manchester United, no qual sofre questionamentos da torcida e da imprensa.

- Acredito em uma volta por cima porque ele tem qualidade, capacidade para isso. Tem o respeito dos jogadores. A simplicidade do trabalho dele é incrível. Mas tudo na vida é assim: ser simples é muito difícil.

Mourinho tem sofrido pressão no Manchester United, mas Baltemar acredita em volta por cima — Foto: OLI SCARFF / AFP

Mourinho tem sofrido pressão no Manchester United, mas Baltemar acredita em volta por cima

Andanças pelo mundo e fuga da primavera árabe

Depois de se separar de Mourinho por uma decisão que diz ter sido pessoal, Baltemar seguiu "carreira solo". Como treinador principal - não mais auxiliar -, ele aprofundou uma característica que sempre teve: o gosto por desbravar novos territórios.

O garoto que saiu do Recife aos 20 e poucos anos para viver em Portugal tornou-se mais maduro. Mas saiu para descobrir lugares e ter experiências diferentes. Passou por Tunísia, Grécia, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

A maior e mais traumática história, no entanto, se deu em um pequeno país do norte da África: a Líbia. Justamente em 2011, período em que o país viveu uma convulsão social - que resultou na queda e morte do ditador Muammar Kadhafi. É um conflito, por sinal, que até hoje não foi superado. A capital Trípoli, por exemplo, ainda é palco de conflitos armados.

Contratado para treinar o Al-Ittihad, time ligado à família que dirigia o país, Baltemar ficou poucos meses no país durante o ano de 2011. Teve de fugir. Literalmente.

"Tivemos que ser repatriados para Portugal por um avião de guerra. Foi traumático porque estava junto com minha esposa e com minha filha de oito meses. O aeroporto estava todo cercado, cheio de gente e vivia uma situação muito complicada. Todos os dias víamos carros incediados, bombas caindo. Entrei em contato com o governo português, que me comunicou que mandaria um avião para trazer os cidadãos portugueses. Não foi nada agradável."

A situação foi registrada à época pelo GloboEsporte.com.

Apesar do susto, Baltemar trata o assunto, hoje, com leveza. Mas, claro, não deseja repetir.

- Pouco depois me chamaram para ir trabalhar na Síria (que, hoje, vive guerra civil). Eu agradeci, mas recusei. Ninguém quer me dar filé - brinca, entre risos.

Hoje, o trabalho é em Luxemburgo, país da Europa Central. Rico, mas pequeno, com cerca de 600 mil habitantes (o Brasil tem 200 milhões), e sem expressão no futebol, o lugar é encarado como mais uma aventura para Baltemar. E sem menosprezo.

- Não é porque passei por grandes clubes que vou diminuir a importância do meu trabalho aqui. Não é porque comi caviar que não gosto de sardinha.

Baltemar teve uma passagem rápida pelo futebol brasileiro, em 2013, no Grêmio Osasco-SP — Foto: Foto: Luís Pires/Grêmio Osasco

Baltemar teve uma passagem rápida pelo futebol brasileiro, em 2013, no Grêmio Osasco-SP

Relação distante com Romero Britto

Mourinho não é a única estrela com quem Baltemar tem ligação. O artista plástico Romero Britto, como o sobrenome indica, é seu parente. Irmão por parte de pai.

Como Baltemar saiu muito cedo do Brasil e só volta eventualmente para tirar férias, ambos tiveram pouco contato. Cada um seguiu seu caminho - e ambos tiveram sucesso. Um no futebol. Outro na arte. Tanto que Romero virou o queridinho das celebridades. Já teve quadros encomendados, por exemplo, por Michael Jackson e Maddona.

- A diferença de idade é muito grande entre nós. São 12 anos. Quando eu fui jogar em Portugal, ele era muito pequeno. Depois, ele próprio saiu do Brasil, foi morar nos EUA. Então, hoje acompanho de longe e sinto muito orgulho do que ele faz.

Adorado pelas celebridades, o também pernambucano Romero Britto é irmão de Baltemar — Foto: Reprodução / Instagram

Adorado pelas celebridades, o também pernambucano Romero Britto é irmão de Baltemar

Fonte:https://globoesporte.globo.com/pe/futebol/noticia/ex-braco-direito-de-mourinho-irmao-de-romero-britto-e-fuga-da-primavera-arabe-as-historias-de-baltemar.ghtml


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