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Herói do Brasil na Copa Davis em 2018 vive realidade difícil no tênis: "Luta diária para sair dessa"

Aos 25 anos e ex-número 8 do mundo juvenil, João Pedro Sorgi segue sem patrocínios e revela dificuldades em seguir e custear carreira no circuito profissional


Prêmios milionários, ingressos caros, grandes arenas e tudo com muito luxo. Essa é uma realidade do tênis que apenas um grupo pequeno de jogadores pode desfrutar no circuito. Para a grande maioria dos tenistas, o cenário é outro: clubes pequenos, lugares distantes, pouquíssimo público e muito prejuízo. João Pedro Sorgi, ex-número 8 do mundo juvenil, é um dos que vivem a carreira profissional desta forma.

Atual 647º do ranking da ATP, o paulista de Sertãozinho já chegou a ocupar o posto de 251 em 2017 e viveu seu melhor momento no ano seguinte, quando foi o herói do Brasil na classificação contra a República Dominicana na Copa Davis. Mesmo com a exposição daquele momento, João Pedro seguiu sem patrocínios, precisando custear praticamente tudo na sua carreira e precisando até colar raquete com supercola para seguir jogando em torneios profissionais. A conta não fecha.

- A vida que eu levo hoje como tenista não é uma vida de glamour. É desgastante. É prazerosa porque eu faço o que eu gosto, mas ela é uma vida desgastante. Eu tenho que viajar para outros lugares, distante... Eu estava na Tunísia agora para você ter uma ideia para poder jogar os torneios. Na América do Sul agora vai ter uma sequência, mas tem muito poucas opções. É viagem, um lugar que não é tão agradável como seria jogar no seu país ou em torneios grandiosos. Os Futures, normalmente são torneios de estrutura bem inferior. A realidade é bem distante - disse Sorgi.

João Pedro Sorgi (à esquerda) foi vice-campeão no ITF de Curitiba — Foto: Nelson Toledo/Fotojump

João Pedro Sorgi (à esquerda) foi vice-campeão no ITF de Curitiba

Em junho, o paulista disputou o Future de Curitiba, torneio com distribuição total de US$ 15 mil em premiações. Fez uma grande campanha e acabou vice-campeão da competição, levando para casa US$ 1.272,00 (R$ 4.750,00). Para conseguir custear seu mês de viagens, treinos e competições, Sorgi precisaria praticamente repetir esse resultado todas as semanas. Por isso, a realidade dos torneios de nível Future é considerada como apenas um passo dos tenistas e ficar por muito tempo nesse patamar é insustentável.

- O Future é um momento de passagem de um atleta profissional. Ninguém quer ficar ali. Você muitas vezes nem se considera profissional. Porque você não consegue ganhar dinheiro, não está jogando torneios grandiosos, de boa estrutura, bem distante disso. Então, o Future é um lugar de passagem. É uma luta diária para sair o mais rápido possível dessa situação.

Sem apoio até para raquetes

João Pedro Sorgi no ITF de Curitiba — Foto: Nelson Toledo/Fotojump

João Pedro Sorgi no ITF de Curitiba

A realidade atual do tênis brasileiro é complicada. Apenas 16 tenistas estão ranqueados na ATP. Sorgi é um deles, mas é apenas o 12º colocado entre eles com sua posição atual. Um contraste grande com o cenário de 10 anos atrás, quando Gustavo Kuerten estava se aposentando e o esporte ainda fervia no país. Com isso, eram muitos os torneios de nível Future e Challenger e, consequentemente, vários jogadores pontuando no ranking. Hoje, são apenas dois Futures e um Challenger confirmados, além dos ATPs de Rio de Janeiro e São Paulo.

Assim, os jogadores precisam cada vez viajar mais para conseguirem atuar em torneios de pontuação na ATP. Com isso, os custos aumentam. E, se para as competições, o investimento já é baixo, para os atletas o buraco é ainda mais embaixo. Sorgi sequer tem ajuda com raquetes, precisa comprá-las para jogar. Apenas tem um patrocinador de roupas e de cordas. Nada mais. Todo o resto é por sua conta.

- Eu hoje não estou numa fase muito boa da minha carreira, sou 600 e pouco do ranking, mas acredito que estou entre os 10, 15 melhores tenistas do Brasil. E me falam na Europa: "Como é possível que um tenista que está entre os 15 melhores de um país como o Brasil não ganha uma raquete de tênis?" Que é uma coisa assim, que você vai em outros lugares e até mesmo o 100 do país ganha. Ou professores. E eu não tenho isso (...) Mas, eu não sou muito de ficar me queixando dessas coisas, eu tenho uma vida muito privilegiada e agradeço todos os dias pelas oportunidades, por tudo, mas é difícil - ponderou.

João Pedro Sorgi no ITF de Curitiba — Foto: Nelson Toledo/Fotojump

João Pedro Sorgi no ITF de Curitiba

Interromper a carreira já passou pela cabeça

Numa situação tão difícil mesmo aos 25 anos, momento em que boa parte dos tenistas vive seu auge, era de esperar que Sorgi já tenha pensado em largar a carreira. O paulista admite que ponderou o assunto, mas jamais parou uma semana sequer do tênis. Vive ainda 100% e apenas diminui as viagens em situações de maior aperto financeiro.

- Eu tive muitos momentos, até hoje, de passar essas coisas pela cabeça. Todo mundo tem momentos de dificuldade na profissão, na vida pessoal. No tênis, na minha vida, também tenho. Ainda mais que eu estou numa fase de enfrentar dificuldades, de me reencontrar, de superar desafios e as coisas não estão fluindo da maneira que eu gostaria. É uma luta diária. E às vezes você dá uma fraquejada. Você fica em dúvida se vale mesmo esse sacrifício. As condições no Future são bem ruins. Existem dias muito difíceis. Eu não cheguei a tomar essa decisão de parar um pouco - disse.

Conta a República Dominicana, Sorgi foi o herói do Brasil — Foto: EFE/Carlos Javier

Conta a República Dominicana, Sorgi foi o herói do Brasil

Para seguir em frente, Sorgi segue contando com o apoio de seus pais, médicos, e que conseguem bancar a carreira do filho. Atualmente, segundo ele, sozinho consegue cobrir apenas 30 a 40% de seus custos mensais no esporte. O restante vem da ajuda da família. Assim, ele segue sonhando em dar a volta por cima.

- A motivação ela vem do amor pelo esporte mesmo. Do desafio de você querer superar os obstáculos do dia a dia, principalmente os seus desafios internos, que surgem, de vencer, entrar na quadra e dar o seu melhor, dar a volta por cima em cada jogo. E o sonho, né? De realmente chegar a estar disputando torneios grandes com uma certa constância, até mesmo um sonho de ter uma recompensa financeira. Sinceramente, não jogo tênis pelo dinheiro. Mas, é uma recompensa. Você se esforça, se dedica, e seria bom poder se bancar, no final da temporada poder comprar algo para você, se dar uma viagem ou comprar um apartamento, uma casa. Coisas que quem trabalha almeja. E o tênis é o meu trabalho. Obviamente que é importante.

Fonte:https://globoesporte.globo.com/tenis/noticia/heroi-do-brasil-na-copa-davis-em-2018-vive-realidade-dificil-no-tenis-luta-diaria-para-sair-dessa.ghtml


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