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Jon Jones revela conversa com o UFC: "Antes mesmo de falarmos de dinheiro ouvi um 'Não' seco"

Campeão dos meio-pesados diz que esperava ser compensado por arriscar a vida contra Francis Ngannou: "Estou disposto a lutar com o cara mais assustador do planeta e eles não me pagam?"


A relação entre o UFC e Jon Jones definitivamente sofreu um duro golpe na última quinta-feira. O lutador, que esperava receber um aumento nos valores do seu contrato ao subir para o peso-pesado e fazer uma superluta contra o camaronês Francis Ngannou, foi pego de surpresa com a negativa imediata de reajuste por parte da organização. Em entrevista exclusiva ao programa "MMA Road Show", Jones revelou a conversa que teve com alguém que ele reputa como "um das cabeças do UFC" e a posição que a direção da empresa teve sobre a sua expectativa de receber um reajuste compatível com o passo que ele estava prestes a dar.

Jon Jones não escondeu a mágoa com a postura do UFC sobre a sua luta contra Francis Ngannou — Foto: Adriano Albuquerque

Jon Jones não escondeu a mágoa com a postura do UFC sobre a sua luta contra Francis Ngannou — Foto: Adriano Albuquerque

- Tive uma conversa com um dos cabeças do UFC, e antes mesmo de falarmos sobre dinheiro - e não foi o caso de eu ter pedido muito dinheiro -, eu ouvi um "Não" seco, direto. Eles não falaram nada sobre bilheteria, pandemia ou algo do tipo. Apenas disseram achar que cuidam muito bem de mim e que, se eu quisesse ganhar dinheiro de verdade, esse dinheiro inevitavelmente viria da venda de pacotes de pay-per-view da luta contra Francis Ngannou, e de outras desse nível. Mas o contrato permaneceria o mesmo caso eu subisse para os pesados. O problema é que estava nos meus planos fazer as minhas maiores lutas na reta final da carreira, e agora eu sei que não darei esse tipo de salto na minha vida. É ruim, porque você sente que alguém está te colocando freios, colocando um limite nas suas possibilidades.

Jones garantiu que nunca falou abertamente com o UFC sobre a ida para a maior categoria do MMA mundial, mas revelou que, sempre que o assunto foi abordado, ouviu da organização que, quando fosse chegada a hora, a negociação seria em cima de números que mudariam a sua vida. Para ele, isso não foi cumprido nessa semana, mesmo diante do risco que ele acredita que correria em enfrentar alguém muito maior e mais pesado que ele no octógono.

- Nós nunca falamos seriamente sobre os pesos-pesados, mas nas poucas vezes em que tocamos no assunto, eles deixaram claro para mim que, quando estivesse pronto para subir de categoria, nós voltaríamos à mesa de negociações e discutiríamos sobre números que mudariam a minha vida. Vamos falar abertamente: Jon Jones x Stipe Miocic? Superluta. Daniel Cormier? Superluta. Logo, Francis Ngannou também é uma superluta. Mesmo que não quisessem mudar o meu contrato, o fato é que eles não estão dispostos a fazer sequer um contrato especial, de apenas uma luta, para que eu enfrente um cara 20kg mais pesado que eu, o cara mais assustador do planeta - Francis Ngannou, o cara que ninguém quer enfrentar. Estou disposto a encará-lo mesmo sendo menor e vocês não querem me pagar US$ 1 a mais? Estão me dizendo que essa luta tem o mesmo valor de eu enfrentar Jan Blachowicz? Me senti insultado. Todos gostariam de me ver correndo esse risco, e eles não me ofereceram nada em troca. Absolutamente nada.

Jon Jones diz esperar que o UFC oferecesse um contrato especial para a sua chegada ao peso-pesado — Foto: Evelyn Rodrigues

Jon Jones diz esperar que o UFC oferecesse um contrato especial para a sua chegada ao peso-pesado — Foto: Evelyn Rodrigues

A promessa que foi feita pelo UFC, segundo o lutador, era de que, caso ele decidisse subir para os pesados, haveria um novo contrato, com um novo acordo sobre os termos financeiros, e que isso o fez imaginar que, após fazer tudo o que havia para ser feito nos meio-pesados, seria chegada a hora de discutir esses termos. O UFC, no entanto, não teria cumprido essa expectativa, o que desanimou o lutador.

- Honestamente, minha situação atual me deixa chocado. O UFC disse a mim e ao meu empresário por anos que, se eu algum dia quisesse chegar a um determinado nível no esporte e realmente quisesse atingir um certo nível de pagamento, eu teria que sair da minha zona de conforto e fazer as mega-lutas, especificamente nos pesos-pesados. eles foram claros quando disseram que reformulariam o meu contrato no dia em que eu decidisse ir para o peso-pesado, e que seria um acordo diferente. Por conta disso, eu sempre tive claro para mim que eu lutaria por muito tempo no peso-meio-pesado, até o momento em que não houvesse mais nada a provar, e me aposentaria como peso-pesado após fazer lutas realmente grandes - colocando tudo em risco contra lutadores que podem causar danos sérios. Na quinta-feira eu descobri que nada disso iria acontecer, e fiquei muito frustrado. Senti que alguém estava colocando um limite no meu horizonte.

Jones não escondeu que, se for preciso, abrirá mão do cinturão caso o UFC queira que haja uma disputa, e voltará apenas quando achar que o UFC pagará o valor que ele considera justo para que ele faça uma luta "grande de verdade".

Jon Jones diz que Thiago Marreta e Dominick Reyes despontaram para o estrelato após enfrentarem-no — Foto: Getty Images

Jon Jones diz que Thiago Marreta e Dominick Reyes despontaram para o estrelato após enfrentarem-no — Foto: Getty Images

- Se é assim que o UFC se sente em relação a mim, e acha que é isso que eu mereço - não receber uma fatia da torta - então não preciso viver de acordo com a agenda deles. Acho que não preciso responder a eles se é assim que vão me tratar. Não vejo problemas em eles me tirarem o cinturão e fazerem alguém lutar pelo título. Vou voltar quando achar que estou pronto e ver quanto eles estão dispostos a pagar pela luta grande de verdade. Mas, por enquanto, o que eu tenho a ganhar enfrentando Jan Blachowicz ou Dominick Reyes? Não tenho muito a ganhar em nenhuma dessas situações. Sempre deixei claro que os meus melhores dias acontecerão quando eu me tornar um peso-pesado, mas eles fizeram uma lambança imensa. Não vou mentir, estou magoado.

Em outro ponto da entrevista, o atleta deixou claro que não se conforma em ver o UFC pagando "dezenas de milhões de dólares" a outros lutadores, e se recusando a aumentar os valores do seu contrato para que ele faça " luta mais arriscada da história do esporte".

- Vocês pagam dezenas de milhões de dólares para outros lutadores, mas se recusam a me dar US$ 1 extra para colocar minha vida em risco contra Francis Ngannou? Me pedem para fazer a luta mais arriscada do UFC e não me pagam a mais por isso? Essa é provavelmente a luta mais arriscada da história do esporte, levando-se em conta as habilidades dele e a nossa diferença de tamanho. Onde está a compensação pelo fator de entretenimento de ver Francis Ngannou contra um adversário 20kg mais leve que ele? Qual a minha compensação por isso? Esse é o meu ponto.

Para Jon Jones, a necessidade de lutar não é mais uma realidade. O campeã dos pesos-meio-pesados acredita que, no cenário atual da categoria, ele acaba sendo uma espécie de chance de sucesso para seus oponentes, sem ter quase nada a ganhar com isso. Jones citou Thiago Marreta e Dominick Reyes como exemplos de atletas que saíram das suas lutas contra ele com um status muito maior do que quando entraram, mesmo tendo sido derrotados.

Jon Jones derrotou Dominick Reyes no UFC 247 — Foto: Getty Images

Jon Jones derrotou Dominick Reyes no UFC 247 — Foto: Getty Images

- Acho que estou em uma boa situação na minha vida. Mesmo no meio da acusação de dirigir bêbado - que eu sei que confundiu muita gente e os fez pensar que as coisas estão indo mal - eu estou em uma posição ótima, e não tenho necessidade de lutar. Hoje em dia, eu acho que dou aos meus oponentes uma chance. Se eu não tiver uma performance em altíssimo nível, eu passo a ter mais a perder do que a ganhar. Thiago Marreta foi de um lutador relativamente anônimo ao maior lutador do Brasil após a nossa luta. Dominick Reyes é agora oficialmente o rei de Apple Valley.

Aos 32 anos de idade, Jon Jones revelou também que a pandemia do coronavírus o afetou internamente, e acendeu dentro dele uma vontade de fazer as coisas sem ter que esperar muito. Uma delas, segundo ele, é intensificar a mudança corporal para se tornar um peso-pesado quando puder voltar a lutar.

- Essa pandemia me ensinou muito sobre a vida, e me mostrou o quanto eu sou abençoado, além de me fazer ver que devo viver enquanto tenho chance. Quando eu for velho, quero me olhar no espelho e dizer que aceitei os maiores desafios, e também quero ter sido recompensado por isso. Mas alguma coisa mudou dentro de mim durante a pandemia. Esse negócio de esperar para ver o que acontece acabou. Quero viver o agora. Estou pronto para ser o melhor pai que puder, o melhor atleta que eu puder, e também para me desafiar. Estou preparado para algumas coisas que sempre quis fazer e me pergunto: "Por que esperar?" Fiz tudo nos meio-pesados, e estou com 32 anos. É a idade perfeita para fazer o que eu quero. Estou em quarentena agora, e tenho tempo para ganhar peso e reaparecer como peso-pesado quando a pandemia acabar.

O lutador encerrou a entrevista dizendo que se sente frustrado por sentir que limitaram seu crescimento como atleta ao mostrarem que uma mudança do tamanho que para ele é subir para os pesos-pesados e encarar um grande desafio não teria valor adicional nenhum em comparação ao que ele já faz nos pesos-meio-pesados.

Jon Jones gostaria de estrear no peso-pesado do UFC enfrentando o camaronês Francis Ngannou — Foto: Getty Images

Jon Jones gostaria de estrear no peso-pesado do UFC enfrentando o camaronês Francis Ngannou — Foto: Getty Images

- Colocaram um limite à minha frente. Eu estava disposto a mergulhar de cabeça e dar um show para os fãs, e eles me frustaram dizendo que isso não tem valor algum. Eu ganharia literalmente a mesma coisa que se lutasse contra Jan Blachowicz. Pergunte a qualquer fã razoável: "Com quem você lutaria?" eles estão me dizendo que não importa contra quem você vá lutar, a sua valorização será a mesma. Eu posso falar a besteira que eu quiser, postar vídeos no Instagram o dia todo e me vestir da melhor maneira que puder, mas não posso controlar quem vai escolher as lutas. De certa forma, vocês estão amarrando as minhas mãos.

Também entrevistado pelo programa, o empresário de Jon Jones, Ibrahim Kawa, garantiu que o lutador está ciente do momento financeiro do UFC, abalado pela pandemia e eplas circunstâncias que o novo cenário traz para as empresas em geral, mas ressaltou que o risco que seu cliente corre com essa mudança precisa ser valorizado, independente da sua participação percentual nas vendas de pay-per-view.

- O risco de pegar essa luta precisa ser compensado, com ou seu participação no pay-per-view. Não importa. Uma luta contra Jan Blachowicz tem um determinado valor em dinheiro, e o risco é de certa forma muito menor. Quando o risco de enfrentar potencialmente muito mais danos enfrentando um cara que certamente pode causá-los aparece, acho que os números deveriam ser muito mais altos. Jon está assumindo o risco. Onde está o risco do UFC em Jones x Ngannou? Eles não correm risco nenhum. Vão ganhar muito dinheiro, essa é a verdade. Dizer que "não existe a possibilidade dessa luta vender menos de um milhão de pacotes de pay-per-view" não é correr risco.

O empresário também explicou que a ideia de Jones é ter a garantia de que a luta acontecerá dentro de termos financeiros que o agradem, para que ele possa se preparar por seis ou sete meses da forma adequada e consiga dar o show que os fãs esperam.

- Jon não está pedindo para lutar mês que vem, no meio da pandemia, e exigindo mais dinheiro. O que ele diz é: "Quero saber que tenho uma luta garantida em vista, e precisarei de tempo para preparar o meu corpo. Nesse tempo, se tudo der certo, a pandemia terá acabado e voltaremos à vida normal dentro do possível, e aos negócios. Ele quer de verdade saber que tem uma luta programada para poder ganhar massa muscular da forma correta, e talvez em seis ou sete meses estaremos olhando para uma arena lotada para essa luta.

Fonte:https://globoesporte.globo.com/combate/noticia/jon-jones-revela-conversa-com-o-ufc-antes-mesmo-de-falarmos-de-dinheiro-ouvi-um-nao-seco.ghtml


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