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Reforços, renovações e futuro de Jair Ventura: falamos com o diretor de futebol do Corinthians

Duílio Monteiro Alves quer mais tempo de trabalho com o técnico, revela que Timão procura de três a quatro jogadores experientes e faz balanço sobre momento difícil da equipe


Enquanto o time luta para afastar de vez o fantasma do rebaixamento e ainda alimenta chances remotas de ir à Libertadores de 2019, a diretoria de futebol do Corinthians trabalha para melhorar o elenco. A ideia do clube é contratar três ou quatro reforços experientes para 2019.

Na semana que antecede o último clássico do ano, diante do São Paulo, sábado, às 17h (de Brasília), em Itaquera, o diretor de futebol Duílio Monteiro Alves recebeu o GloboEsporte.com em sua sala no CT Joaquim Grava para falar sobre planejamento do ano que vem.

O dirigente minimizou os riscos de rebaixamento da equipe e disse que a diretoria dará suporte ao técnico Jair Ventura, que após 13 jogos conseguiu um rendimento de apenas 33,3% dos pontos.

– Temos de deixá-lo trabalhar, fazer uma pré-temporada, com reforços. A gente acredita no trabalho dele. Vamos melhorar o elenco no que ele nos requisitar. E aí avaliar. Acredito que um treinador tem de ter pelo menos um ano para trabalhar, isso temos como experiência com Tite, Mano Menezes, Fábio Carille e com outros. Com ele não pode ser diferente – argumentou Duílio.

Duilio Monteiro Alves, diretor do Corinthians, ao lado de Jair Ventura — Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Duilio Monteiro Alves, diretor do Corinthians, ao lado de Jair Ventura

Mesmo com o time na 12ª posição do Brasileirão, com 39 pontos, a cinco de distância do Z-4, o dirigente diz que não há um clima de desespero no clube pelo fantasma do rebaixamento. Restam, seis jogos para o fim da competição, três deles dentro da Arena Corinthians.

– A gente não pode falar de risco de rebaixamento, claro que a chance existe, é pequena, mas não podemos nos preocupar com isso. A gente tem de olhar lá para cima ainda. Não podemos entrar todo dia aqui no CT pensando nisso. A gente sabe da situação, mas ela também pode ser melhor.

Veja abaixo os principais pontos da entrevista:

GloboEsporte.com: Desde a saída do Jô, o time sofre com a falta de um centroavante que agarre a camisa. Em 2019, vocês vão atrás de outro ou vão apostar nos do elenco?

Duílio Monteiro Alves: As duas coisas. A gente tem de dar tempo de adaptação aos jogadores, mas também não temos esse tempo todo, até pela paciência da torcida e da imprensa. A cobrança é grande, temos que sempre trabalhar para melhorar o mais rápido possível, qualificar o elenco, peças que precisamos repor. Mesmo sabendo que possuímos atletas aqui dentro que, com o tempo, vão atingir esse objetivo e entregar isso. Infelizmente, no futebol é visto só o resultado, então precisamos trabalhar nas duas pontas.

O que já está adiantado para 2019? Está definido quais jogadores emprestados voltam?

Já tivemos reuniões de planejamento de três meses para cá. Temos algumas posições que identificamos carência e estamos trabalhando. Não podemos externar porque não é o momento, mas a gente vem trabalhando. Sobre os atletas emprestados, conversamos com o treinador sobre quem ele pretende usar, vendo os atletas que queremos trazer para reforçar o elenco, atletas que a gente conversa sobre renovação de contrato. É um trabalho diário.

Em 2018, muitas apostas foram contratadas, como Matheus Matias, Vital, Sergio Díaz, Araos, Douglas... Essa política vai seguir ou é o momento de trazer nomes mais rodados?

Trouxemos agora o Gustavo Silva (Mosquito) e temos negócio fechado com o André Luiz, da Ponte Preta, dois jovens. E trouxemos o (lateral-direito) Michel Macedo para trabalhar com o Fagner. Agora a gente pretende, lógico que ver apostas e oportunidades, mas também trazer jogadores mais experientes para ter essa mescla. Perdemos Rodriguinho, Balbuena, Sheik vai se aposentar, não sabemos se o Danilo fica. Queremos trazer essa experiência. A procura nessa janela será para trazer mais qualidade, não muitas peças, mas jogadores mais experientes que completem o elenco com a molecada.

Vão buscar quantos reforços?

Difícil dizer. A gente pretende trazer três ou quatro mais experientes para qualificar. Agora, isso depende muito de necessidade. A gente ainda pode ter propostas, perder jogadores, infelizmente pode ter lesão e até o mercado pode trazer alguma coisa nova.

Há dinheiro para grandes contratações?

Primeiro, vamos equalizar a folha (de pagamentos). Temos alguns contratos vencendo, jogadores saindo, você abre espaço na folha para a chegada de outros. Em 2018, maioria veio por empréstimo, sem um investimento alto. Apesar de todo dia eu ouvir que o Corinthians investiu mal e contratou errado, a maioria veio sem custo nenhum, só com salário, baixo inclusive, por serem tratados como apostas. O Corinthians só vai desembolsar o valor de aquisição se estiver satisfeito com o rendimento, isso é uma coisa que a gente procurou fazer. Mas o Corinthians é gigante, não vive um momento tranquilo, mas não é essa parte financeira que vai fazer a gente não estar forte no ano que vem. Temos condição de trazer, sim. Não nessas loucuras que são feitas por aí, o presidente (Andrés Sanchez) sempre fala que tem jogador ganhando um R$ 1 milhão, R$ 800 mil, R$ 900 mil, e isso a gente não concorda, a conta chega um dia. É pé no chão, sem fazer loucura, mas com um time forte.

Para 2019, o Corinthians já contratou os atacantes Gustavo Silva (Coritiba) e André Luiz (Ponte Preta) e o lateral-direito Michel Macedo (Las Palmas-ESP)

Apesar das apostas a baixo custo, o chileno Angelo Araos foi contratado por R$ 17 milhões. Por que essa decisão?

Foram com base em referências, análise do nosso pessoal que vinha acompanhando ele há muito tempo. É um jogador de seleção, com mercado futuro incrível e que também pode resolver a necessidade que a gente tinha no elenco. O investimento feito em Araos foi menor do que a venda de metade dos direitos que vendemos de algum jogadores. Quando a gente vende, o valor é muito baixo. Quando a gente compra, o valor é muito alto. Difícil, né? Exemplo: o Rodriguinho vendemos por 4 milhões de euros a metade dos direitos que tínhamos. Compramos o Araos por menos que isso, mas os 100%. Não estou comparando um com o outro, Rodriguinho é um jogador formado.

Pensam em jogadores que já atuaram no Corinthians, como foi com Ralf e Sheik neste ano?

Não temos isso. Se tiver oportunidade no mercado de alguém que foi muito bem aqui, pode ser, mas nem sempre dá certo também. Há casos de jogadores repatriados que não tiveram o mesmo sucesso. Tendo oportunidade, não está descartado. Mas hoje não é um critério.

Romero tem contrato até o meio de 2019. Já existe negociação para renovação?
A gente tem conversado com alguns atletas. Neste momento, por ser fim de campeonato e pelo Corinthians não estar numa situação confortável, a gente tenta manter o foco nos jogos. Mas a gente vem conversando com o Romero. Ele tem a intenção de ficar, nós queremos que fique. Precisamos chegar a um acordo de valores e tempo de contrato. Isso ainda está distante, mas temos uma conversa quase que diária.

Danilo já disse que segue jogando em 2019. Avaliaram o custo-benefício dele? Vão renovar?

Primeiro, ao falar do Danilo, temos de agradecer tudo o que ele fez no Corinthians, todos esses campeonatos, jogos, gols decisivos, o que nos ajuda no dia a dia há nove anos. É um cara espetacular. Agora, a gente está fazendo uma avaliação com o treinador e com a comissão sobre quem a gente pretende que fique ou não. Danilo é um cara fácil de conversar, esclarecido, um amigo, mas tudo tem sua hora, por parte dele e nossa preferimos esperar o fim do campeonato. Ele voltou a jogar agora, não é hora de parar e falar de contrato. O foco hoje é ganhar jogos.

O Corinthians perdeu Balbuena, Rodriguinho, Maycon e Sidcley no meio do ano para a Europa. Acha que o clube tem criado melhores condições para segurar seus jogadores?

Acho que sim. Estamos trabalhando para isso, até por isso o investimento em atletas jovens, em promessas, algo que foi feito lá em 2010 e 2011. Você dá um tempo para o jogador se destacar até que venham as propostas, que ele queria sair do país, a gente trabalhou nisso, montando um time para três ou quatro anos. O problema foi que muitos tiveram pouco tempo de adaptação, tem muita gente chegando de fora, jogador que está há anos fora do país. O cara tem a adaptação ao país, à cultura, ao novo ambiente de trabalho. O ideial é que tenha um tempo para render.

Sobre Jair Ventura: o desempenho da equipe é ruim neste momento. Vocês, internamente, enxergam evolução no trabalho do técnico?

Veem capacidade de reação da equipe?Enxergamos um dia a dia saudável, os treinos com jogadores envolvidos, empenho total do grupo. Acreditamos que nas próximas seis rodadas o time consiga terminar bem o ano.

Confira o vídeo

Fonte:https://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/reforcos-renovacoes-e-futuro-de-jair-ventura-falamos-com-o-diretor-de-futebol-do-corinthians.ghtml


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