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11/08 - IBITINGA-SP
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Regra e arbitragem inglesas são exemplos do que não fazer

Direito de legislar e interpretar é válido, mas precisa ter limites


Saudações Pugilísticas.

Os itens que fazem parte das regras de boxe de um organismo são prerrogativas do próprio. Já tive a oportunidade de comentar que se em algum país estiver regulamentado que uma luta profissional terminará quando um dos boxeadores for derrubado por golpes legais três vezes no mesmo round, as regras são as do organismo local.
Da mesma forma, quando uma entidade nacional decide que o boxeador em má situação pode receber uma contagem protetora, em vez de deixa-lo receber mais alguns golpes que podem prejudica-lo para depois encerrar o combate, a prerrogativa também é local.

Entretanto, há decisões difíceis de aceitar. Há muitos anos acompanho o boxe inglês e nunca consegui entender a razão de um conceito básico ser tão violentado como a eliminação de juízes. Em troca de uma economia porca, atribui-se ao árbitro decidir qual boxeador é merecedor da vitória nas preliminares dos espetáculos. As funções, cuidados, estudos e concentração que um arbitro precisa ter podem ser desconhecidos do grande público. Mas não é isso que se espera da BBB of C Comissão de Controle do Boxe Britânico. Parece que estamos no século 19/início do século 20 quando este tipo de procedimento era permitido.

Fazer com que o árbitro adicione às suas preocupações a pontuação de um round equilibrado é um martírio inimaginável para quem não passou por isso. Com pouco tempo de formado, participei de uma programação, na qual éramos apenas três juízes/árbitros num evento realizado em local distante. Outros oficiais não obtiveram disponibilidade para comparecer. Com isso, fui surpreendido com a comunicação que excepcionalmente atuaria em algumas lutas com as duas funções em conjunto com os dois juízes. Felizmente, as coisas mudaram no Rio de Janeiro e nunca mais isso aconteceu no estado. Porém, acontece pior no Reino Unido: o árbitro decide sozinho as preliminares.
***
No último sábado, além do relatado acima nos combates preliminares realizados em Londres, confirmando a manutenção de uma regra arcaica de mais de 100 anos, algumas ocorrências chamaram a minha atenção. Impressionou-me a permissividade dos árbitros Steve Gray e Robert Williams.
– No combate entre Henry Turner e Chris Adaway, após o primeiro puxar inicialmente o adversário pela cabeça para joga-lo na lona, um golpe nitidamente lançado na nuca de Adaway derrubou-o. Durante a contagem, foi possível perceber a incredulidade do boxeador diante da passividade do árbitro Gray.
– Mas o pior aconteceu em outro combate. Ainda no 1º round, Louie Lynn atingiu duas vezes seguidas ao adversário Monty Ogilvie que já estava na lona indefeso. Não foi um momento de ataque que poderia levar a um golpe excessivo. Foi clara a intenção maldosa de atingir duas vezes ao opoente que se encontrava caído, como se fosse uma luta de mma. Como Ogilvie levantou-se, pensei que em vez de desclassificação ocorreria no mínimo uma marcação de falta com desconto de ponto. Não foi o que aconteceu e Lynn recebeu apenas uma advertência. No round seguinte, após derrubar mais uma vez o oponente, Lynn novamente partiu para cima do boxeador caído e disparou um gancho na mandíbula de um desprotegido Ogilvie. A reação do faltoso foi imediata. Colocou as duas mãos na cabeça, prevendo a desclassificação. Monty Ogilvie não pode continuar. Foi surpreendente o anuncio do resultado informando a vitória do faltoso por TKO e não a sua desclassificação.
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Roy Jones Jr perdeu a sua invencibilidade de 34 lutas e a disputa do título WBC meio pesado ao ser desclassificado por atingir Montell Griffin, quando o mesmo encontrava-se caído. Árbitros com receio de marcar contra favoritos que fazem parte da equipe que promove o evento (Turner e Lynn são promovidos pela Queensberry, organizadora do espetáculo em questão), precisam pensar se estão na atividade certa. É preferível ganhar a fama de chato do que de incompetente.

Regra e arbitragem inglesas são exemplos do que não fazer

Foto: BT Sport

Fonte:https://globoesporte.globo.com/boxe/blogs/blog-do-daniel-fucs/post/2020/07/29/mau-exemplo-ingles.ghtml


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