Surpresas? Entenda o que Polônia e Suíça fizeram para estarem no top 10 da Fifa

Possíveis cabeças de chave na Copa do Mundo de 2018, seleções acumulam experiência e deixam de ser "patinhos feios" para se tornarem equipes a serem batidas


Seriam Suíça e Polônia seleções melhores que França, Espanha, Itália, Bélgica e Chile? Segundo o ranking da Fifa, sim. Grandes surpresas da sempre polêmica lista da maior entidade do futebol, suíços e poloneses aparecem, respectivamente, em 5º e 6º lugares. Ou seja, se o critério para a próxima Copa do Mundo for o mesmo de 2014, eles seriam cabeças-de-chave da competição, deixando equipes tradicionais e campeãs mundiais em outros potes do sorteio. Mas, o que Suíça e Polônia têm demais? Elas são isso tudo mesmo ou apenas uma bizarrice do ranking?

Para tentar responder essa questão é preciso entender o funcionamento do ranking da Fifa (a forma de pontuação está detalhada no fim desta matéria). Suíça e Polônia podem ser considerados bastante eficientes em termos de pontuação, somando um alto número de vitórias, além de boas campanhas em competições oficiais no histórico recente. Na Euro 2016, os suíços chegaram às oitavas de final, sendo derrotados justamente pelos poloneses, que caíram na fase seguinte para Portugal. Nas eliminatórias da Copa do Mundo, ambas lideram seus grupos e têm boas chances de classificação.

Ranking de julho da Fifa traz Suíça e Polônia em quinto e sexto lugares, respectivamente (Foto: Reprodução)

Ranking de julho da Fifa traz Suíça e Polônia em quinto e sexto lugares, respectivamente

As vitórias, é claro, não acontecem por acaso. Tanto Suíça quanto Polônia, apesar de pouco badaladas, contam com jogadores conhecidos que atuam em grandes ligas do futebol mundial. No caso dos poloneses, é impossível não destacarLewandowski como ponto forte da equipe que lidera o grupo E das eliminatórias da Copa do Mundo com cinco vitórias e um empate. Porém, segundo o lateral Roger Guerreiro, ex-Flamengo, e que atuou na seleção polonesa entre 2008 e 2011, a força da equipe está no bom desempenho defensivo somado ao talento do atacante do Bayern de Munique.

- Eu acho que a Polônia pode ir longe no Mundial, como foi na Eurocopa. A seleção polonesa tem jogadores na Alemanha, Itália, França, lugares muito fortes, então acho que eles chegam muito fortes na seleção e podem fazer bonito (...) Eu vi o crescimento deles, fico muito feliz. O conjunto é muito forte, de obediência e consistência tática, ótima defesa, sofrem poucos gols. Claro que o Lewandowski é uma referência, mas acho que o principal fator da Polônia é a consistência defensiva mesmo, fazem muito bem o que o treinador pede. E aí tem alguns talentos individuais, como o proprio Lewandowski, e jovens como o Linetty (meia de 22 anos, da Sampdoria), entre outros - disse Roger, que jogou o Campeonato Goiano pelo Rio Verde e está sem clube, aos 35 anos.

Roger Guerreiro atuou entre 2008 e 2011 na seleção da Polônia (Foto: AFP)

Roger Guerreiro atuou entre 2008 e 2011 na seleção da Polônia

A experiência da Polônia pode ser um dos pontos-chave para fazer da equipe um adversário difícil de ser batido. Com média de 27 anos na última convocação, a seleção conta com jogadores que parecem sentir pouco a pressão de enfrentarem grandes times. Além, é claro, de Lewandowski, nomes como do goleiro Szczesny (Arsenal), Krychowiak (Paris Saint-Germain), Piszczek (Borussia Dortmund) e Blaszczykowski (Wolfsburg) são bem conhecidos e formam a base polonesa.

- Eles seguem o exemplo da Alemanha, que montou uma base anos atrás, com jogadores jovens, e colheu os frutos depois de alguns anos. Muitos dos jogadores que estão lá eu joguei junto, ou em clube ou na seleção, e eles continuam lá. Começaram novos, com 18, 19, 20 anos e hoje estão no auge de suas capacidades - explicou Roger.

Equipe da Polônia que enfrentou a Romênia, na última partida das Eliminatórias (Foto: GloboEsporte.com)

Equipe da Polônia que enfrentou a Romênia, na última partida das Eliminatórias

Suíça mantém a base desde a Copa do Mundo

Há tempos, a Suíça tem mostrado uma fórmula de futebol pouco atraente, mas muito eficiente. Defesa sólida, poucos gols sofridos e vitórias magras. Em determinados momentos, como na Copa do Mundo do Brasil, em 2014 - quando foi cabeça-de-chave- e nas eliminatórias para a Eurocopa de 2016, ensaiou esquemas mais ousados e um futebol mais ofensivo. Mas, desde o torneio europeu voltou às suas origens e a opção tem dado certo, sem perder há mais de um ano.

A última derrota aconteceu em maio de 2016 (por 2 a 1 para a Bélgica), em amistoso de preparação para a Eurocopa. Desde então, são 12 jogos de invencibilidade no tempo normal, apenas com uma derrota nos pênaltis para a Polônia nas oitavas de final do torneio europeu. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo, uma campanha de 100% de aproveitamento, com seis vitórias. Porém, não encanta: os resultados não passam de 2 a 0, mesmo contra equipes fracas como Ilhas Faroe. O destaque fica por conta do triunfo sobre Portugal, logo na estreia, que a coloca na liderança do grupo B rumo à Copa do Mundo.

Shaqiri (23) , ex-Bayern, atua no Stoke City e é uma das estrelas do time da Suíça (Foto: AP )

Shaqiri (23) , ex-Bayern, atua no Stoke City e é uma das estrelas do time da Suíça

Para o zagueiro Léo Lacroix, convocado duas vezes para a seleção da Suíça, a fórmula do sucesso está na experiência dos jogadores. Apesar de jovens, estrelas como Shaqiri (25 anos), do Stoke City, Xhaka (24), do Arsenal, e Ricardo Rodriguez (24), do Milan, carregam na bagagem as disputas da Copa de 2014, a Euro 2016, além de parte do grupo ter sido campeão mundial sub-17 em 2009. Há ainda atletas mais rodados, como são os casos do zagueiro Djourou (30), que jogou no Arsenal e está no Hamburgo, e o lateral-direito Lichtsteiner (33), da Juventus.

- Acho muito importante ter jogadores com muita experiência. Isso faz a diferença, ter jogadores que já disputaram algumas Copas do Mundo ou a Euro ajuda muito com a integração dos jovens no grupo. Acaba que também nos deixa mais calejados para jogar numa eliminatória, competição mundial ou europeia. Não faltou muito para a Suíça ir mais longe nessas competições, mas eu acho que foi um aprendizado e que hoje em dia a equipe está mais preparada. A Copa do Mundo ainda está muito longe, o mais importante agora é pensar no próximo jogo, continuar a jogar bem, trabalhar um pelo outro, como aconteceu até agora - disse o zagueiro Léo Lacroix, atualmente no Saint-Etienne, da França.

Na equipe base da Suíça, todos os jogadores estiveram na última Copa do Mundo

A Suíça volta a atuar pela 7ª rodada das eliminatórias da Copa do Mundo no dia 31 de agosto, quando receberá a Andorra, em St. Gallen. A Polônia encara a Dinamarca fora de casa no dia seguinte, na cidade de Copenhague.

Como a pontuação é calculada

A fórmula para chegar à pontuação é complicada e leva em consideração os jogos das seleções nos últimos quatro anos. Os últimos 12 meses valem 100%, enquanto a cada ano o peso cai para 50%, 30% e 20%, respectivamente. É a soma das médias de pontos de cada 12 meses que resulta nos pontos atuais de cada país no ranking. Daí a confusão: o Brasil não receberá mais 582 pontos agora.

Para cada jogo, a Fifa usa a seguinte fórmula para definir quantos pontos o time ganhou:

P= R x I x S x C

As letras significam:
P = pontuação no ranking
R = pontos pelo resultado do jogo
I = importância da partida (eliminatórias, amistoso...) 
S = força da seleção adversária
C = força da confederação continental;

Os critérios da Fifa são:

R = vitórias (3 pontos); empate (1 ponto) e derrota (zero)

I = Copa do Mundo (4 pontos); Copa das Confederações ou principal torneio de cada confederação (3 pontos); eliminatórias para Copa do Mundo ou para principal torneio de cada confederação (2,5 pontos); e amistosos (1 ponto);

S = o valor 200 é atribuído a todas as seleções. O líder do ranking vale 200. Para achar o coeficiente (S) de outras equipes, o valor é subtraído da colocação do time naquele momento. Equipes abaixo da 150ª posição valem sempre 50 pontos;

C = cada confederação tem um coeficiente: Conmebol (1); Uefa (0,99), Concacaf, AFC, CAF e OFC (0,85);

Fonte:http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/surpresas-entenda-o-que-polonia-e-suica-fizeram-para-estarem-no-top-10-da-fifa.ghtml


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