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Tifanny desabafa sobre projeto de lei que pretende vetar atletas trans em SP: "Perseguição"

Atleta pode ser impedida de atuar em partidas no Estado de São Paulo; Tifanny aponta a ex-jogadora Ana Paula como articuladora: "Está fazendo toda essa palhaçada".


A oposta Tifanny desabafou ao ser questionada sobre a possibilidade de aprovação do projeto de lei 346/2019, de autoria do deputado Altair Moraes (PRB), que pretende estabelecer o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado de São Paulo.

O projeto entrou em pauta terça-feira na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), mas teve votação adiada pelos deputados presentes após confusão. De acordo com a proposta do deputado Altair Moraes (PRB), ficaria proibida a participação de atletas transexuais em competições oficiais dentro do estado de São Paulo. O sexo biológico seria o único critério definidor do gênero dos competidores em eventos esportivos em território paulista.

– Uma mulher do sexo feminino e do sexo masculino tem uma grande diferença no seu corpo e na sua formação genética. Então mesmo que se faça um processo de hormonização, faça cirurgia, jamais em tempo algum vai se tornar igual – argumenta o deputado Altair Moraes, autor do projeto de lei.
 


Tifanny, oposta do Sesi-Bauru, pode ser impedida de atuar em jogos no estado de São Paulo — Foto: Divulgação/Sesi-Bauru
 

Caso seja aprovada, a nova lei estadual impediria Tifanny de atuar em jogos disputados no estado de São Paulo. A oposta não disputaria, por exemplo, o Campeonato Paulista e jogaria apenas os jogos do Sesi-Bauru fora de casa na Superliga feminina.

Para se ter uma ideia do impacto na carreira de Tifanny, dos 22 jogos da fase classificatória da Superliga - principal campeonato de vôlei do Brasil - ela poderia atuar apenas em 12. São seis times paulistas na competição. A jogadora criticou os parlamentares que são favoráveis à aprovação da nova lei.

– Estou acompanhando e estou preocupada. O que penso é que são todos transfóbicos, pessoas ruins do coração e que não entendem medicina. São pessoas que inventam histórias, que usam o nome de Deus em vão. Eles fazem isso pelo próprio ego. Não adianta mostrar documentos, dados, não adianta mostrar nada. São pessoas que querem derrubar as mulheres trans e as pessoas trans do Brasil. A gente já tem tão pouco e o pouco que a gente tem eles querem tirar – disse Tifanny.


Deputado Altair Moraes, do Republicanos, autor do projeto de lei proibindo trans no esporte no estado de São Paulo — Foto: Divulgação
 

O principal alvo das críticas de Tifanny é a ex-jogadora Ana Paula Henkel, que, segundo ela, tem participação no projeto de lei. Ana Paula, citada na propositura do deputado Altair Moraes (PRB), é crítica ferrenha e contra a participação de trans no esporte profissional.

– É perseguição da Ana Paula, que está com eles fazendo toda essa palhaçada. É perseguição, porque não existe nenhum local no mundo em que os médicos comprovaram que temos vantagens físicas. Temos vantagem por ter talento, experiência. Não adianta, jogamos de igual para igual.

Procurada pela reportagem após as declarações de Tifanny, Ana Paula nega que esteja perseguindo a jogadora por apoiar o projeto. Segundo ela, tudo faz parte de um grande movimento de atletas internacionais.

– Se é uma perseguição minha, é minha e de mais de 60 atletas olímpicas pelo mundo que enviaram uma carta ao Comitê Olímpico ano passado pedindo a revisão desta política. Eu sinto muito que a Tifanny tenha esse complexo narcisista, porque não é sobre ela. É um movimento mundial que está acontecendo, inclusive aqui nos Estados Unidos estou trabalhando com outras atletas olímpicas porque está afetando as bolsas universitárias para meninas. É um movimento de muitas atletas internacionais. Essa “inclusão” de trans, homens biológicos para o esporte, significa a exclusão de mulheres e meninas. Atletas de todo o mundo se movem contra essa política injusta para o esporte feminino.

Tifanny pretende esgotar todas as possibilidades para seguir atuando profissionalmente no Brasil. A jogadora do Sesi-Bauru conta com o apoio do clube e promete ir à Justiça caso seja impedida de atuar em São Paulo devido a uma possível aprovação do projeto de lei.

"Já que eles estão me proibindo de trabalhar, que paguem meu contrato. Não estou roubando nem matando ninguém", desabafa.

– Tantas coisas para se preocupar no país, mas eles estão se preocupando comigo e com quem está fazendo o seu trabalho. Estou fazendo um trabalho honesto, não estou roubando nem matando ninguém. São deputados que não têm coração e estão preocupados com coisas minúsculas, enquanto tem tanta gente com fome e precisando do esporte. Eles querem me tirar do jogo, enquanto quero ajudar as pessoas. Não vai ficar por isso não. Nós, juntamente com o clube, vamos entrar com uma ação. O governo pode sancionar ou não. Depois de tudo isso, tem o STF que pode nos ajudar – disse.

Com menos destaque em relação aos anos anteriores, Tifanny tem sido escalada na função de oposta e ponteira, o que tem, segundo ela, diminuído seu poder ofensivo. Com 33 pontos, o Sesi-Bauru é o quinto colocado na Superliga feminina e um dos times apontados como favorito ao título.

 

Fonte: Globo Esporte


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