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Brasil tem pequena melhora no IDH, mas segue estagnado no 79°lugar em ranking global

Quando desigualdades são consideradas, país perde 17 posições; índice também mostra disparidade de renda entre homens e mulheres.


 Calçadão no Centro de Aracaju — Foto: Patricia Carvalho / G1
Calçadão no Centro de Aracaju — Foto: Patricia Carvalho / G1

O Brasil ficou estagnado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nesta sexta-feira (14). É o terceiro ano seguido que o país mantém a 79ª posição no levantamento, que analisou 189 países. A situação é pior quando se fala, exclusivamente, de desigualdade: o Brasil cai 17 posições (veja detalhes mais abaixo).

Medido anualmente pelo Pnud, o IDH vai de 0 a 1 - quanto maior, mais desenvolvido o país - e tem como base indicadores de saúde, educação e renda. Neste ano, o Brasil alcançou o IDH de 0,759, com uma pequena melhora em relação ao ano passado, de 0,001.

Na classificação da ONU, o Brasil segue no grupo dos que têm “alto” desenvolvimento humano. A escala classifica os países analisados com IDH “muito alto”, “alto”, “médio” e “baixo”.

Ranking de desenvolvimento humano — Foto: Alexandre Mauro
Ranking de desenvolvimento humano — Foto: Alexandre Mauro

Oslo, na Noruega, país que aparece no topo do ranking de IDH — Foto: Nancy Bundt/www.visitnorway.com
Oslo, na Noruega, país que aparece no topo do ranking de IDH — Foto: Nancy Bundt/www.visitnorway.com

Expectativa de vida, escolaridade e renda

 

A melhora no IDH brasileiro é percebida nos índices de saúde e renda. Já os números que dizem respeito à educação se mantiveram os mesmos. Desde 2015, o país está parado no levantamento que mede a expectativa dos anos de escolaridade dos cidadãos (15,4). A média de anos de estudo do brasileiro também é a mesma de 2016 (7,8).

A “média de anos de estudo” representa o tempo de educação que pessoas de 25 anos ou mais têm no país – isto é, um indicador que é mais impactado pelas gerações anteriores. Já os “anos esperados de escolaridade” indicam a expectativa de estudo de uma criança que ingressa hoje no sistema de ensino. Ou seja, o brasileiro que se matricula atualmente numa escola deverá estudar, em média, 15,4 anos.

Outro item analisado para o levantamento do IDH é a esperança de vida ao nascer. A expectativa de vida dos brasileiros passou de 75,5 anos, em 2016, para 75,7.

A renda nacional bruta (RNB), dimensionada em dólares, teve um salto de US$ 13.730 para US$ 13.755. O número, porém, ainda não alcançou o valor de 2015, quando a RNB era de US$ 14.350.

Evolução do Brasil no IDH — Foto: Infografia: Alexandre Mauro
Evolução do Brasil no IDH — Foto: Infografia: Alexandre Mauro

 

Desigualdades

 

O Pnud também avaliou, em 151 países, o IDH “ajustado às desigualdades”. Este índice mede a perda do desenvolvimento humano devido à distribuição desigual dos ganhos do IDH.

O Pnud estabelece um índice separado para três dimensões de desigualdade nos países. No caso do Brasil, o pior índice fica com a má distribuição de renda (0,471), seguida da desigualdade na educação (0,535) e na expectativa de vida (0,765).

Os cinco primeiros países com desenvolvimento humano classificado como "muito alto" também perdem posições no IDH quando são avaliadas as desigualdades - Noruega (-1), Suíça (-2), Austrália (-4), Irlanda (-7) e Alemanha (-2).

Desigualdade social prejudica desempenho do Brasil em ranking da ONU — Foto: Getty Images
Desigualdade social prejudica desempenho do Brasil em ranking da ONU — Foto: Getty Images

 

América do Sul e Brics

 

O Brasil tem o 5º melhor IDH entre os países da América do Sul, atrás de Chile (0,843), Argentina (0,825), Uruguai (0,804) e Venezuela (0,761).

Se comparado aos países que fazem parte do Mercosul, o Brasil só fica na frente do Paraguai (0,702), na 110º posição do ranking mundial.

Na comparação com os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil tem um IDH menor que o da Rússia (0,816), que está na 49º lugar no ranking.

A China vem atrás (IDH 0,502, excluída Hong Kong) na 86ª posição, seguida pela África do Sul (0,618), em 113º lugar e, por fim, Índia (0,427), na 130ª colocação.

 

Gênero

Protesto de mulheres em São Paulo, em 2017 — Foto: G1
Protesto de mulheres em São Paulo, em 2017 — Foto: G1

 

O Pnud faz dois levantamentos para avaliar as disparidades e desigualdades entre homem e mulher.

O Índice de Desenvolvimento de Gênero, que traz os mesmos indicadores do IDH com separação por sexo em 164 países, mostra que as brasileiras estão melhores na maioria dos indicadores no que diz respeito à saúde e ao estudo. O grande gargalo, porém, é a renda nacional bruta per capita comparada a dos homens.

Apesar de as mulheres terem mais anos esperados de escolaridade (15,9 frente a 14,9 dos homens) e maior média de anos de estudo (8 anos contra 7,7 nos homens), a renda nacional bruta per capita da mulher é 42,7% menor que a do homem. Em dólares, este valor equivale a US$ 10.073 contra US$ 17.566 para os homens.

No Índice de Desenvolvimento de Gênero, os países são divididos em grupos de 1 a 5 - sendo este último o de maior desenvolvimento. Como as mulheres têm números mais altos em quase todos os indicadores, o Brasil é avaliado na melhor categoria, a do grupo 1.

Porém, o Índice de Desigualdade de Gênero, calculado em 160 países e focado na situação da mulher no país, mostra o Brasil na 94ª posição. O índice, neste caso, é de 0,407 numa escala de 0 a 1 - ao contrário do IDH, porém, o país está melhor posicionado quanto mais próximo do zero.

O prédio do Congresso Nacional — Foto: Luis Rodnei/TV Globo
O prédio do Congresso Nacional — Foto: Luis Rodnei/TV Globo

 

Aqui, o Pnud destaca que as brasileiras ocupam 11,3% das cadeiras do Congresso Nacional. O resultado é o pior da América do Sul e o terceiro pior da América Latina, atrás somente de Belize (11,1%) e das Ilhas Marshall (9,1%). Além disto, este indicador é ainda pior que o do país com o menor IDH do mundo, o Níger (17%).

Outro indicador do Pnud mostra que uma mulher brasileira gasta em média 4,3 vezes mais do seu tempo em trabalhos domésticos e de cuidados do que os homens. Cerca de 13,3% do tempo delas é dedicado a esta atividade não remunerada, enquanto os homens gastam cerca de 3,1% do tempo deles.

Essa comparação é maior do que em países vizinhos, como o Chile (onde as mulheres gastam 2,2 vezes mais do seu tempo nessas tarefas do que os homens), Argentina (2,5), Uruguai (2,4) e Paraguai (3,4).

 

Fonte: G1


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