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Criminosos detonam explosivos em viaduto na 9ª noite de ataques no Ceará

Série de ataques tem 186 ações criminosas em 43 cidades cearenses desde 2 de janeiro. Governo transferiu 41 membros de facções criminosas do Ceará para presídios federais.


 

 Região foi isolada por conta de explosivo não detonado no local — Foto: Rafaela Duarte/Sistema Verdes Mares
Região foi isolada por conta de explosivo não detonado no local — Foto: Rafaela Duarte/Sistema Verdes Mares

Criminosos voltaram a cometer ataques a equipamentos públicos nesta quinta-feira (10), 9ª noite de violência no Ceará. Em Fortaleza, homens detonaram explosivos embaixo de um viaduto na rodovia CE-040, no Bairro Messejana. O Governo do Ceará confirmou que, após a onda de violência, transferiu 41 membros de facções criminosas do estado para presídios federais, sendo 20 transferências realizadas durante a madrugada desta sexta-feira (11).

O estado vive uma onda de ataques desde o dia 2 de janeiro, quando criminosos incendiaram ônibus, transportes escolares, veículos de prefeituras, prédios públicos e comércios na capital e no interior. Já foram confirmadas 186 ações criminosas em 43 dos 184 municípios cearenses. A Secretaria da Segurança Pública comunicou que 287 suspeitos de envolvimentos nos crimes foram detidos. Os atentados iniciaram após o anúncio de medidas do governo para tornar mais rígida a fiscalização nos presídios cearenses.

 

Entenda o que está acontecendo no Ceará

 

  • O governo criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro dos presídios.
  • O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos.
  • Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior ao longo da semana.
  • O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado.
  • A população de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções frequentes no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do comércio.
  • Onda de violência no Ceará afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado cair de 85% para 65%.

 

Explosão em viaduto

 

A bomba foi explodida na parede do viaduto por volta das 22h. O barulho da explosão foi ouvido por moradores de bairros vizinhos. De acordo com uma moradora da região que não quis se identificar, a explosão gerou um tremor nas casas vizinhas. "Foi um estrondo muito forte, tipo como se tivesse uma implosão de um prédio", comentou.

De acordo com a Polícia Militar, parte do explosivo não detonou e por conta disso a área do viaduto foi isolada. Uma equipe do esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionado para o artefato e evitar uma nova explosão.

Na madrugada de quarta-feira (9) também houve explosão no viaduto da estação da Linha Sul do Metrô de Fortaleza do Bairro Parangaba, em Fortaleza.

 

Presos transferidos

 

Como reação aos crimes, o Governo do Estado confirmou que mais 20 membros de facções criminosas que estavam detidos no Ceará foram transferidos para presídios federais em outros estados durante a madruda desta sexta-feira.

O governador Camilo Santana já havia confirmado, em entrevista para a GloboNews, na quarta-feira (9), que 21 chefes de facções criminosas que estavam presos no Ceará foram levados para unidades federais, totalizando 41 transferências.

 

Motivação dos atentados

 

Os atentados começaram após uma fala do novo titular da Secretaria de Administração Penitenciária do estado, Luís Mauro Albuquerque, que afirmou que iria acabar a entrada de celulares nos presídios e encerrar a divisão de presos nas detenções conforme a facção criminosa a que pertencem.

O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que a nomeação do novo gestor das unidades prisionais motivou o início dos ataques. Em pichações em prédios públicos e residências, os criminosos pedem a saída de Mauro Albuquerque. "A criminalidade já conhecia o trabalho dele", afirmou André Costa.

 

Fonte: G1


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