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Enem 2019: Prova de ciências humanas cobra atenção a temas do noticiário


A prova de ciências humanas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) traz 45 questões de geografia, história, filosofia e sociologia e é conhecida por enfatizar a análise e a interpretação de temas atuais.

Neste ano, a prova será aplicada em 3 de novembro, no mesmo dia de redação e de linguagens e códigos.

Levantamento do Curso Poliedro aponta que mais da metade das questões nas provas de ciências humanas do Enem entre 2014 e 2018 abordaram formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado --52%. Perguntas sobre diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade foram o segundo grupo mais frequente (23%), seguidas de itens a respeito dos domínios naturais e a relação do ser humano com o ambiente (15%).

Em busca de recomendações para os candidatos, a reportagem conversou com Cris Carmo, do Curso Poliedro; Daniel Perry, do Anglo Vestibulares; e José Mazzucco, do Colégio e Curso Objetivo.

 

Acompanhe o noticiário

É impossível ter um bom resultado na prova sem acompanhar muito bem o noticiário e entender os principais temas que pautam os debates políticos atuais, afirmam professores.

Por isso, é importante que os candidatos, além de estudar os assuntos de cada disciplina, acompanhem o que está acontecendo no Brasil e no mundo, já que as questões costumam ser motivadas por temas "quentes", ou seja, com forte presença no noticiário.

A tragédia ambiental de Brumadinho, aposta Cris Carmo, não deve ser objeto de uma questão específica, mas pode ser usada para fazer relação a temas relacionados, como a exploração de metais. Ela cita a suspensão do horário de verão em 2019 como um evento recente que também pode ser explorado.

Para ela, os candidatos devem ler jornais e diminuir o tempo dedicado à leitura de textos fragmentados na internet, que costumam ser menos aprofundados.

 

Cuidado com respostas simplistas

José Mazzucco recomenda que os candidatos tenham cuidado com concepções simplistas. "É comum haver uma alternativa que parece correta, mas que não responde ao texto", diz.

Os estudantes têm que ter domínio dos conceitos de ciências humanas --incluindo autores clássicos, como Weber e Durkheim, nas questões de sociologia, e Aristóteles, nas questões de filosofia.

A prova costuma combinar temas clássicos com assuntos que estão na fronteira das discussões sociais, como a história da África e dos nativos brasileiros e os direitos de mulheres e minorias em geral, afirma Daniel Perry.

 

Bobagem estudar os temas separados

Perry lembra que, no Enem, os temas não são compartimentados por disciplina. "É bobagem achar que tem que estudar separadamente história antiga, medieval, moderna, contemporânea", diz.

O professor recomenda que os candidatos não percam de vista a interdisciplinaridade marcante da prova de ciências humanas. Uma questão de história, por exemplo, pode abordar temas relacionados à cidade e à urbanização em diversos períodos históricos.

Além disso, esses temas podem ser abordados em uma questão de geografia, por meio dos problemas de mobilidade urbana, por exemplo, ou em uma pergunta de sociologia ou filosofia, que trate das implicações sociais dos condomínios de luxo nas cidades brasileiras, exemplifica o professor.

 

A polarização das redes sociais atrapalha

O ambiente de polarização e a falta de debate qualificado das redes sociais podem ser entraves a um bom desempenho na prova de ciências humanas.

Opiniões pessoais não podem ser a razão da escolha de uma resposta, afirma José Mazzucco. "A resposta está no próprio texto, não na cabeça do candidato. O Enem cobra o autor e seu contexto", afirma.

Em sociologia, Mazzucco recomenda que os candidatos acompanhem as mudanças e as atualizações dos conceitos da disciplina --o tratamento dado a questões raciais, de gênero e de minorias, afirma, mudou radicalmente nos últimos anos, e isso se reflete na prova do Enem. "Ao mesmo tempo, os alunos devem ter cuidado com 'intelectuais' de Facebook."

 

Mudanças no primeiro ano de governo Bolsonaro?

O Enem foi duramente criticado por Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral. Em novembro de 2018, o então presidente eleito criticou uma questão da prova de linguagens e códigos sobre expressões linguísticas usadas por membros da comunidade LGBT e a associou com a chamada "ideologia de gênero".

Já empossado, Bolsonaro prometeu ver a prova do Enem antes de sua realização, contrariando a prática anterior, em que o presidente e o ministro da Educação não tinham acesso prévio ao conteúdo do exame.

Essa situação, inédita, vem gerando apreensão entre alunos e professores e especulações sobre as características do Enem 2019. Cris Carmo espera que as questões da prova deste ano serão mais objetivas, evitando temas que possam criar polêmica.

"Os alunos querem dicas, e a gente tem poucas para dar, porque ninguém sabe como vai ser essa prova. O que eu digo é que estão todos no mesmo barco e, se houve mudanças, ninguém vai estar em situação de privilégio."

Em geografia, Carmo imagina "uma guinada para conteúdos mais técnicos e uma prova mais voltada para a geografia física". Nos últimos anos, aspectos econômicos, sociais e políticos prevaleceram, e temas como população, urbanização, geopolítica e recursos energéticos tiveram prioridade.

Por esperar uma prova mais conteudista e que não esbarre em questões ideológicas, ela orienta que os candidatos se concentrem em conceitos e definições dos temas tratados e deem atenção, na prova de geografia, para assuntos de cartografia, geomorfologia, climatologia e hidrografia.

José Mazzucco se mostra mais cauteloso. "A mudança de governo pode gerar a substituição de questões, por exemplo, mas minha intuição é que o estilo e o nível da prova deverão ser mantidos", diz.

 

O que é preciso saber para a prova?

  1. Compreender os elementos culturais que constituem as identidades;
  2. Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder;
  3. Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais;
  4. Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social;
  5. Utilizar os conhecimentos históricos para compreender e valorizar os fundamentos da cidadania e da democracia, favorecendo uma atuação consciente do indivíduo na sociedade;
  6. Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos.

 

Fonte: UOL


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