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Cão farejador da Policia Civil de Itápolis auxilia em operações de busca de drogas

Animal foi doado para a corporação e é mantido pelos policiais da corporação


Policia civil de Itápolis é a primeira da região a ter um cão farejador. Foto: Lorenzo Santiago / PORTAL TERNURA

 

A delegacia de Itápolis é a primeira unidade da Policia Civil a ter um cão farejador na região. O cachorro chamado de Thor, da raça border colie, se tornou o único de toda a seccional de Araraquara a atuar nas operações de busca e apreensão de drogas. O cão representa uma forma prática de encontrar entorpecentes em veículos, casas e terrenos baldios, mas ainda gera dúvidas em relação ao uso de animais para o trabalho.

Diferente da militar, a Policia Civil não possui um canil regulamentado. Todos os cachorros utilizados são treinados e cuidados pelos próprios agentes. Mesmo sendo animais que auxiliam nas operações, os custos com alimentação, vacina, cuidados médicos e adestramento de responsabilidade dos policiais interessados. No caso da delegacia de Itápolis, é feita uma arrecadação coletiva mensal para cobrir esses gastos.

Mas para se ter um cão especializado na busca a partir do faro, é preciso ter um profissional especializado no treinamento. Quem realiza este trabalho na policia da cidade da laranja é o delgado Daniel do Prado Gonçalves. O agente já tem experiência no treino de cachorros. Segundo ele, foi preciso estudar novas técnicas para estimular o farejo no cão.

“Eu já queria treinar para faro e comecei a estudar o treino, procurando na internet e com colegas que já atuam na área. Procurei ajuda com policiais que já treinaram cães em outros lugares, e eles me passaram todo o procedimento correto para treinar. Quem tem mais experiencia ajuda quem tem menos” afirmou Daniel.

Gastos com Thor giram em torno de R$500 por mês. Foto: Lorenzo Santiago / PORTAL TERNURA

 

Thor foi doado pelo criador itapolitano Ronny Calçada quando tinha 3 meses. Os policiais deixaram Thor crescer até os 8 meses para então, começar o treinamento. Para Daniel, esse período foi importante para a vivência do filhote. O treinamento dura quatro meses e consiste na formação de estímulos. Na primeira etapa, o cachorro é apresentado a um brinquedo. A ideia é que o cão seja fascinado pelo brinquedo, que no caso do Thor é uma bolinha de tênis. O objetivo é tornar o brinquedo uma recompensa para o cão.

Em um segundo momento é feito o exercício de estimular a busca do brinquedo pelo olfato. O cachorro é treinado para encontrar a recompensa mesmo sem vê-la. No caso do Thor, os treinadores levavam ele até uma praça, jogavam a bolinha e soltavam o cachorro para que ele a encontrasse.

Na última etapa do treinamento, há o estimulo para que ele perceba que, se ele cumprir um objetivo, haverá recompensa. O treino de Thor a partir de então foi para que ele buscasse e sinalizasse a presença de drogas em caixas, para então receber a bolinha. Ao término deste processo, o animal é considerado formado e apto para a participação em operações.

Para Daniel, o auxílio dos animais se dá, não só na praticidade, como na identificação de esconderijos que o trabalho da polícia não daria conta de encontrar: “Às vezes a droga está escondida em um compartimento secreto dentro de um carro, e a gente não vai desmanchar o carro inteiro para encontrar sem saber se vai ter droga lá mesmo. E o cão tem uma extrema facilidade em encontrar. Já teve operações que a droga estava escondida em terrenos muito grandes e a gente ficava horas procurando, enquanto com o faro, o animal acha em 10 minutos”, destacou Daniel.

Thor foi doado com 3 meses e começou a fazer o treinamento depois de 5 meses na delegacia. Foto: Lorenzo Santiago

 

Cão de Pastoreio

Para o trabalho policial, os cães pastores são os mais comumente utilizados. Essas raças são utilizadas no controle de boiadas e rebanhos. São considerados cães com um olfato diferenciado e, por isso, são prioritários na escolha para trabalhar em canis.

No canil da Policia Militar o Pastor Alemão é o cachorro padrão. A diferença está no treinamento e no comportamento do animal. O adestramento na PM é voltado para o combate em operações especiais, tropa de choque ou na imobilização de pessoas. O cachorro de trabalho é escolhido de acordo com as tendências que as raças apresentam.

O trabalho animal é um tema sensível à opinião pública. Gustavo Campelo é educador de animais e especialista em comportamento animal da Cão Ideal. Segundo ele, o trabalho de animais é inato à relação entre os homens e cachorros. A domesticação de lobos foi feita pois o ser humano percebeu a utilidade desses animais para a caça e proteção. Em contrapartida, os lobos também teriam uma fonte de alimento mais segura do que a encontrada de forma independente.

Com a evolução dos lobos, os cães passaram a ser os animais que interagem de forma direta com os humanos. Dessa forma, grande parte dos trabalhos realizados pelos lobos são adaptados.

Para Gustavo, o trabalho animal não é só importante, como necessário para algumas raças: “As raças de trabalho (cães ativos que foram selecionados para fazer a proteção) precisam realizar o trabalho para gastar energia. Se ele não trabalha e fica em uma família normal, ele pode se tornar um cão que desenvolve problemas de comportamento e psicológicos por não gastar energia” enfatiza o educador de animais.

Para o educador, apesar de o trabalho ser natural para as raças selecionadas, é preciso ter cuidado durante os treinamentos: “Assim como nós, os animais também tem limites. A forma de se fazer o treinamento e o tempo de trabalho influenciam nisso. Entender e conhecer o animal é fundamental para que essa relação entre o animal e o trabalho sejam saudáveis e cumpram a função” pontua Gustavo.

Policiais civis são responsáveis pelos gastos com o cachorro. Foto: Lorenzo Santiago / PORTAL TERNURA

 

“Existem alguns mitos sobre isso. Um deles é o de que o cachorro que trabalho com o olfato é viciado em droga. Isso não é verdade, até porque esses cães nunca tiveram contato com a droga, só com o odor. Então não é vicio, é puramente o estímulo” destaca o delegado Daniel.

 

Institucionalização da “profissão”

Os policiais civis têm interesse em regulamentar canis nas delegacias. A importância do trabalho dos cachorros em operações é o principal argumento para isso. De forma extraoficial, existe o Núcleo de Operações com Cães (NOC) que busca a organização entre os policias e o diálogo para formalizar o adestramento de cães para o trabalho na civil.

São policiais independentes que usam da cinotecnia (ciência que estuda da anatomia, comportamento, psicologia e outras especificidades relacionadas aos cães) e do treinamento para fazer a avaliação do trabalho na corporação. O objetivo é criar uma divisão especializada que faça o adestramento.

As mudanças requerem uma estrutura de delegacias com canil. Mas os gastos com os animais não representam um aumento substancial nos recursos utilizados pelas delegacias. Os custos hoje com o Thor não passam de R$500 por mês, segundo o delegado Daniel do Prado. São gastos com alimentação, vacinação e cuidados gerais.


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